BANCA
BNA mantém taxa em 17,5 por cento
16/03/2026 12h47
Luanda – O Comité de Política Monetária decidiu manter as taxas Banco Nacional de Angola (BNA) em 17,5 por cento e a de Juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez em 18,5 por cento, em reunião realizada, a 11 e 12 do corrente mês, na cidade de Moçâmedes (província do Namibe).
De acordo com as conclusões da centésima vigésima oitava reunião do comité. foi igualmente decidido manter a taxa de Juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 16,5 por cento e reduzir o coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional de 18 para 17,5 por cento.
O governador do BNA, Manuel Tiago Dias, disse que a decisão de manutenção das taxas de juro é justificada pela necessidade de preservar uma postura prudente, num contexto ainda marcado por incertezas no ambiente económico internacional, associadas ao agravamento dos conflitos geopolíticos, com eventuais impactos na economia nacional.
Sublinhou que a redução do coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional visa libertar liquidez para dinamizar o mercado monetário interbancário.
Em relação a conjuntura internacional, adiantou que a intensificação das tensões comerciais e geopolíticas a nível mundial tem contribuído para uma maior volatilidade dos mercados, deteriorando as perspectivas de crescimento económico para 2026.
Quanto ao mercado das mercadorias energéticas, referiu que o preço do petróleo registou uma notável subida para níveis médios superiores a 80 dólares por barril.
Sublinhou que este aumento reforça as preocupações, quanto ao seu impacto nos preços dos bens alimentares e insumos produtivos, com implicações na inflação mundial, o que poderá agravar as condições monetárias e financeiras nos mercados internacionais.
Relativamente a economia nacional, realçou que a inflação manteve a sua trajectória descendente, com a taxa mensal de 0,52 por cento, em Fevereiro último, inferior a observada em Janeiro (0,68 por cento), onde a classe de alimentação e bebidas não alcoólicas contribuiu com 0,34 pontos percentuais e representou 61,69 por cento da inflação total.
Recordou que a inflação homóloga situou-se em 13,35 por cento e a sua desaceleração foi observada em todas as províncias, com destaque para o Huambo (11,36 por cento), Cunene (11,47), Zaire (11,82) e Namibe (11,91).
Em Luanda, a taxa de inflação homóloga fixou-se em 12,29 por cento.
Destacou que a actividade agropecuária e silvicultura teve um desempenho positivo de 3,76 por cento, enquanto o sector petrolífero registou uma contracção de 5,22 por cento.
No domínio monetário, a base em moeda nacional contraiu 7,11 por cento, em Janeiro, e 1,69, em Fevereiro, registando, em termos homólogos, uma contracção de 1,60 por cento.
O agregado monetário em moeda nacional reduziu 0,36 por cento, em Fevereiro, contribuindo para atenuar a expansão de 0,43 por cento observada no mês anterior, onde a variação acumulada foi de 0,06 por cento e a homóloga de 19,21 por cento.
Por seu lado, o stock de crédito à economia, em moeda nacional, atingiu 7,23 biliões de kwanzas, em Fevereiro, representando uma expansão de 0,37 por cento, equivalente a 26,88 mil milhões de kwanzas, face a contracção de 2,55 por cento observada em Janeiro.
De acordo com o comunicado da reunião do Comité de Política Monetária do BNA, no sector externo, nos dois primeiros meses do ano, o saldo acumulado da conta de bens foi de 2,45 mil milhões de dólares, face aos 2,83 mil milhões de dólares do mesmo período de 2025, representando uma redução de 377,06 milhões, resultante da queda do valor das exportações em 453,51 milhões de dólares.
Em relação ao stock das reservas internacionais, fixou-se em 15,93 mil milhões de dólares, representando um grau de cobertura de 7,4 meses de importação de bens e serviços.