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Ministro de Estado reafirma aposta de Angola no aprofundamento da integração económica

Delegação angolana, chefiada pelo ministro de Estado José de Lima Massano, (do centro para esq.) participa no terceiro Fórum Económico Angola-RDC
Delegação angolana, chefiada pelo ministro de Estado José de Lima Massano, (do centro para esq.) participa no terceiro Fórum Económico Angola-RDC Imagens: Cedida

Redacção

Publicado às 17h54 01/04/2026

Luanda - O ministro de Estado para a Coordenação Económica, Jose de Lima Massano, reafirmou, esta quarta-feira, em Kinshasa, a aposta de Angola no aprofundamento da integração económica, ao discursar na abertura do terceiro Fórum Económico Angola-RDC.

Ao sublinhar que o fórum reflecte a solidez da cooperação entre os dois países e a ambição comum de construir um espaço económico integrado, mais dinâmico e gerador de oportunidades, apelou os empresários e investidores de Angola e da República Democrática do Congo (RDC) para transformarem o potencial económico comum em projectos concretos.

José de Lima Massano destacou que a proximidade geográfica e histórica deve ser transformada num verdadeiro motor de crescimento económico sustentável, com impacto directo na melhoria das condições de vida das populações.

Apontou a complementaridade das economias como uma vantagem competitiva estratégica, defendendo a sua transformação em resultados concretos, nos domínios da segurança alimentar, transição energética,  infra-estruturas de transporte e logística, inclusão financeira e digital e desenvolvimento de cadeias de valor regionais.

No plano interno, José de Lima Massano referiu que Angola tem vindo a implementar um conjunto consistente de reformas macro-económicas, com impacto positivo na estabilização da economia e melhoria do ambiente de negócios.

Como resultado, enfatizou que o sector não petrolífero angolano cresceu acima de cinco por cento, nos últimos dois anos, o desempenho mais robusto da última década, evidenciando uma maior diversificação da economia.

Indicou, igualmente, que a inflação tem vindo a desacelerar, aproximando-se da meta de um dígito, enquanto as reservas internacionais líquidas estimam-se em cerca de 15,3 mil milhões de dólares,  equivalente a 7,4 meses de cobertura de importações de bens e serviços.

No que respeita ao investimento público, realçou os esforços em curso na expansão e modernização de infra-estruturas estruturantes, como redes energéticas, estradas, caminhos-de-ferro e aeroportos, visando o reforço da capacidade logística e produtiva do país.

O enquadramento regional foi igualmente apontado como favorável, com iniciativas promovidas pelas Comunidades de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e Económica dos Estados da África Central (CEEAC) e pela Zona de Livre Comércio Continental Africana a contribuírem para a redução de barreiras comerciais, maior previsibilidade jurídica e estímulo ao investimento privado.

Dirigindo-se aos empresários, investidores e operadores económicos presentes, o ministro de Estado salientou que Angola e a RDC representam um mercado conjunto de cerca de 170 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado estimado em 190 mil milhões de dólares.

Apesar disso, observou que o comércio formal bilateral permanece aquém do potencial, situando-se em cerca de 600 milhões de dólares anuais, contrastando com o elevado volume de transacções informais, ao longo de uma fronteira comum de aproximadamente dois mil e 500 quilómetros.

Entre os avanços concretos, foi destacada a entrada em funcionamento do posto fronteiriço do Luvo, em Angola, uma infra-estrutura moderna destinada a melhorar o controlo, segurança e formalização das trocas comerciais, tendo anunciado a intenção de replicar o modelo em outros pontos fronteiriços angolanos com elevada intensidade económica.

No domínio financeiro, referiu que instituições bancárias angolanas já iniciaram contactos com o banco central congolês para obtenção de licenças de operação, uma medida considerada essencial para facilitar os fluxos financeiros e apoiar o comércio e o investimento entre os dois países.

O ministro de Estado sublinhou igualmente os progressos no Corredor do Lobito, incluindo a criação de mecanismos institucionais para facilitar o transporte e trânsito de mercadorias entre Angola, RDC e Zâmbia, reforçando a integração logística regional.

Reconhecendo os desafios ainda existentes, reafirmou a determinação política de ambos os países em superar constrangimentos e aprofundar a cooperação económica, destacando que os temas em debate no fórum reflectem a vontade comum de diversificar e estruturar a relação bilateral.

Manifestou confiança de que o fórum, que decorre sob o lema “Integração Sub-regional e Desenvolvimento do Comércio Fronteiriço”, permitirá identificar soluções concretas para tornar a cooperação mais dinâmica, inclusiva e sustentável, incentivando a criação de novas parcerias empresariais e projectos conjuntos.

José de Lima Massano felicitou a RDC pela qualificação para o Campeonato do Mundo de Futebol, sublinhando tratar-se de uma conquista que orgulha todo o continente africano e expressou confiança que o país representará condignamente a África na competição.

O terceiro Fórum Económico RDC-Angola congrega cerca de 400 participantes, entre representantes governamentais, instituições financeiras e empresários dos dois países, e inclui uma exposição de produtos e serviços, em que Angola participa com 17 expositores.

A agenda contempla sessões institucionais, painéis temáticos, encontros sectoriais sobre energia, indústria, transportes, logística, pescas e finanças, assim como reuniões de negócios entre empresários dos dois países, com expectativa de resultados concretos, ao nível do reforço do diálogo institucional, assinatura de acordos, memorandos empresariais e incremento do comércio formal transfronteiriço.

A delegação angolana integra os ministros da Indústria e Comércio, Rui Minguês, e das Pescas e Recursos Marinhos, Carmen do Sacramento Neto, assim como o secretário do Presidente da República para o Sector Produtivo, João Nkosi, e os secretários de Estado para a Cooperação Internacional e Comunidades Angolanas, Domingos Viera Lopes, para o Tesouro e Finanças, Ottoniel dos Santos, para os Transportes Terrestres, Jorge Bengue, e da Energia, Arlindo Carlos.

Integram ainda a comitiva o governador do Banco Nacional de Angola, Manuel Tiago Dias, os vice-governadores do Moxico Leste, Cabinda, Uíge, Zaire e Lunda-Norte, bem como o presidente do Conselho de Administração da AIPEX, Arlindo das Chagas Rangel.

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