Angola usa inteligência artificial para alargar receitas não petrolíferas
Luanda - A ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, revelou que Angola está a recorrer à inteligência artificial e a tecnologia de satélite para combater a evasão fiscal e reforçar a arrecadação de receitas fora do sector petrolífero.
Em entrevista concedida em Washington (Estados Unidos da América), à margem das reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial, Vera Daves de Sousa adiantou que a Administração Geral Tributária (AGT) está a passar por um processo de digitalização profunda, que inclui o uso de inteligência artificial para identificar ilícitos e fraudes fiscais.
Em parceria com o Gabinete de Gestão Aeroespacial, o executivo está também a usar georreferenciação por satélite para melhorar a cobrança do imposto predial, deu a conhecer, em declarações retomadas pela agência Lusa.
Segundo disse, já se começa a ver os benefícios do uso da georreferenciação por satélite.
Entre as medidas em curso, Vera Daves destacou ainda a implementação da facturação electrónica para tornar mais eficiente a relação entre as empresas e o Estado, reduzindo a margem para a fuga ao fisco.
Realçou que está em discussão, na Assembleia Nacional, um pacote legal para reformar os impostos dos Rendimentos das Pessoas Singulares e das pessoas Colectivas para alargar a base tributária e simplificar a arrecadação.
Sublinhou que os primeiros resultados já se fazem sentir, e adiantou que "Janeiro, Fevereiro e Março foram meses animadores, do ponto de vista da arrecadação não petrolífera”.
No acumulado de 2025, Angola arrecadou cerca de 31,69 biliões de kwanzas, equivalentes a 91 por cento do previsto no Orçamento Geral do Estado (OGE), valor inferior a despesa total registada, o que aponta para um défice orçamental.
Para 2026, o executivo propõe um défice fiscal de 2,8 por cento, com o orçamento elaborado com base no preço médio de 61 dólares por barril de petróleo e uma produção diária de 1,05 milhão de barris.
Vera Daves garantiu que Angola avança “com prudência” para assegurar uma performance fiscal melhor do que a registada em 2025.