FINANCIAMENTO

Angola defende estrutura de financiamento continental para criar valor acrescentado

Embaixadora de Angola na China, Dalva Ringote Allen, participou no Retiro Anual do Grupo de Embaixadores Africanos, na ChinaImagem: Cedida

26/04/2026 13h48

Luanda - A embaixadora de Angola na China, Dalva Ringote Allen, sublinhou, esta sexta-feira, em Beijing, que Angola defende acções colectivas a favor de uma estrutura de financiamento continental para criar valor acrescentado, numa arquitetura que ligue bancos de desenvolvimento, orçamentos nacionais, sector privado e cadeias de valor concretas.

A diplomata angolana falava no Retiro Anual do Grupo de Embaixadores Africanos, organizado pela Missão Permanente da Comissão da União Africana na China, que decorreu durante dois dias sob o lema “Aproveitando a oferta tarifária 100 por cento gratuita da China”, para promover o desenvolvimento e prosperidade no continente africano.

Dalva Ringote Allen, ao participar no painel sobre financiamento e investimento, lembrou a Declaração de Luanda, saída da terceira Cimeira de Financiamento para o Desenvolvimento das Infra-estruturas em África, realizada em Luanda, em Outubro de 2025, com a co-organização da Comissão da União Africana.

Na ocasião, sublinhou que a cimeira reafirmou os compromissos com a industrialização, desenvolvimento de cadeias de valor regionais e priorização de sectores integrados a um modelo de desenvolvimento centrado em infra-estrutura, redução de custos, aumento da competitividade, expansão das exportações, retorno económico e sustentabilidade do investimento.

A diplomata angolana destacou que o novo regime tributário da China oferece uma oportunidade significativa para as empresas africanas, e disse esperar que a nova política gere efeitos positivos e transformadores no continente africano para assegurar um ambiente regulatório previsível e um financiamento adequado e flexível, especialmente para as pequenas e médias empresas, por serem essenciais no desenvolvimento das economias locais.

Reafirmou que as instituições financeiras africanas devem actuar de maneira coordenada e colaborativa na mobilização de recursos internos, para apoiar empresas com potencial de exportação, por meio da concessão de crédito e financiamento às pequenas e médias empresas envolvidas em projectos de infra-estruturas.

Enfatizou que a África não pode continuar a exportar matérias-primas e importar produtos manufacturados.

Participaram no retiro, Nardos Bekele-Thomas, directora executiva da Agência de Desenvolvimento da União Africana (AUDA-NEPAD), assim como embaixadores africanos, representantes do Departamento de Desenvolvimento Económico, Comércio, Turismo, Indústria e Minerais, autoridades dos Ministérios dos Negócios Estrangeiros e do Comércio da China, bem como membros da Agência de Desenvolvimento da China, entre outras entidades.

O evento visou fortalecer a capacidade coordenada do continente para a operacionalização da oferta de isenção total de tarifas da China, assim como ampliar o acesso ao mercado para acelerar a implementação da Agenda 2063 e os resultados do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC).

Durante o evento foram abordados vários temas em painéis, ligados as questões sobre padrões de acesso ao mercado, produção e cadeia de valor no comércio, financiamento e investimentos, bem como facilitação e logística.

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