CORREDOR

Corredor do Lobito está a emergir como um factor de desenvolvimento estratégico de África

Embaixadora de Angola na Itália, Josefa SackoImagem: Angop

29/04/2026 21h05

Roma - O corredor do Lobito está a emergir como um factor de desenvolvimento estratégico de África, oferecendo uma rota atlântica para o comércio, a logística, os minerais críticos, produção industrial e a integração dos mercados regionais, garantiu esta quarta-feira, em Roma, a embaixadora de Angola na Itália, Josefa Correia Sacko.

A diplomata angolana teceu estas considerações, quando interveio num evento organizado pelo instituto de assuntos internacionais de Roma, sobre a conciliação de interesses ao longo do corredor do Lobito:Diplomacia, desenvolvimento, minerais críticos e o alinhamento da declaração de Kampala do Programa Compreensivo de Desenvolvimento da Agricultura de África (CAADP).

Disse que a medida que a procura por minerais críticos ligados à transição energética global cresce, o corredor de Lobito tornou-se uma plataforma fundamental onde as prioridades de desenvolvimento africanas se cruzam em matéria de infraestruturas, a diversificação da cadeia de abastecimento e da coordenação de investimentos.

“Não se trata, portanto, de um simples projeto de transportes é um espaço como um activo de integração regional. Angola ajudou a elevar o corredor de um projeto de infraestruturas nacional para uma plataforma partilhada de comércio regional, investimento, diplomacia em torno de minerais críticos e cooperação para o desenvolvimento estratégico”, frisou.

Sublinhou que por está razão, este corredor não deve ser encarado apenas sob a perspetiva das exportações de minerais, mais sim , a sua relevância a longo prazo dependerá da sua capacidade de gerar benefícios de desenvolvimento mais amplos para Angola, a RDC e a Zâmbia, nomeadamente através do desenvolvimento de empresas locais, da facilitação do comércio, da transformação agrícola, do desenvolvimento de competências, dos serviços de logística, do acesso à energia e do emprego.

Na sua óptica, o corredor pode ser alinhado com a agenda da declaração de Kampala do Programa Compreensivo de Desenvolvimento da Agricultura de África (CAADP), que reorienta um quadro restrito de produção agrícola para uma agenda mais ampla de transformação dos sistemas agroalimentares, no apoio de desenvolvimento de cestas básicas, o comércio transfronteiriço de alimentos, o armazenamento e as cadeias de frio, as zonas de transformação agrícola, a produção resiliente às alterações climáticas, bem como, ao emprego juvenil e as empresas lideradas por mulheres.

A também representante de Angola junto das organizações das Nações Unidas em Roma , referiu que nesta perspetiva, permitiria ao corredor servir tanto as necessidades da cadeia de abastecimento global como as próprias prioridades de África em matéria de segurança alimentar, comércio regional e transformação estrutural.

“Neste sentido, Lobito pode tornar-se um modelo de como a diplomacia, o financiamento de infraestruturas, os minerais críticos e a transformação dos sistemas agroalimentares se podem reforçar mutuamente”, adiantou a embaixadora.

A concluir garantiu que Angola constitui a porta de entrada atlântica do corredor e uma parte essencial da sua espinha dorsal física que confere ao país um papel decisivo na definição da orientação, da governação e das ambições de desenvolvimento do corredor.

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