José de Lima Massano destaca crescimento acelerado da produção alimentar nacional
Luanda - O ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, destacou, este sábado, em Icolo e Bengo, o crescimento acelerado da produção alimentar nacional e defendeu que o sector agrícola está a assumir um papel central na nova dinâmica da economia angolana e a impulsionar a indústria transformadora e reforçar a diversificação.
Em declarações à imprensa, depois de visitar duas unidades avílolas da província de Icolo e Bengo, considerou que "a agricultura está a ditar o ritmo da transformação económica em Angola", recordando que "uurante muitos anos, quando se falava da economia angolana, a primeira referência era o petróleo".
Sublinhou que a agricultura representa actualmente perto de 25 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o peso do sector petrolífero já se encontra abaixo dos 15 por cento.
Apesar disso, recordou que o petróleo continua estratégico para Angola, sobretudo por assegurar a maior parte das receitas cambiais do país.
Explicou que os indicadores económicos mais recentes demonstram que Angola atravessa uma transformação estrutural sustentada pela expansão da produção nacional, pelo crescimento da indústria alimentar e pela maior participação do sector não petrolífero na economia.
“Quando observamos, por exemplo, a indústria transformadora a crescer a ritmos de 16 por cento ao ano, isso inevitavelmente tem impacto no Produto Interno Bruto", afirmou, adiantando que "há também outros sectores em crescimento, como o turismo, que começam igualmente a ganhar peso na economia nacional".
Frisou que o Executivo está a construir uma economia mais diversificada, com vários sectores a contribuir para o crescimento nacional.
Durante a visita, o ministro de Estado inteirou-se do funcionamento do projecto de Banco Genético Avícola – WESTAVES, pioneira na produção genética avícola, considerada a única do país com capacidade para produzir matrizes localmente, reduzindo a dependência externa do sector.
O projecto, desenvolvido em parceria com a Embrapa, do Brasil, encontra-se instalado na província de Icolo e Bengo e prevê, futuramente, atender também mercados africanos.
Na segunda unidade visitada, a empresa SAFCOMEX Investiment Group, Lda – VALE VERDE, dedicada à produção de ovos, carne de frango e ração animal, José de Lima massano destacou o facto de a capacidade instalada já estar a ser utilizada em mais de 90 por cento.
De acordo com o chefe da Equipa Económica, a indústria alimentar é actualmente o segmento mais dinâmico da indústria transformadora nacional, registando crescimento a dois dígitos e absorve cada vez mais produção agrícola nacional.
Revelou igualmente que Angola já deixou de importar produtos como tomate, cebola, alho, ovos e vários derivados avícolas, como patas e pele de frango, anteriormente adquiridos no exterior.
No sector das carnes, destacou a redução em cerca de 50 por cento nas importações de carne bovina no último ano, bem como o aumento da produção nacional de frango, que passou de aproximadamente 20 mil para 60 mil toneladas anuais.
A produção suína também mantém trajectória de crescimento, prevendo o Executivo reduzir para níveis residuais a necessidade de importação até ao final do ano.
Apesar dos avanços, o governante reconheceu que persistem desafios ligados ao acesso à energia, água e infra-estruturas, mas assegurou que os investimentos públicos realizados nos últimos anos começam já a produzir impactos concretos na actividade produtiva.
Acrescentou que o crescimento da agricultura está igualmente a impulsionar sectores como a logística, os transportes e os serviços, reforçando a construção de uma economia mais diversificada e integrada.
Estas visitas enquadram-se nas acções de acompanhamento dos projectos do sector real da economia da província do Icolo e Bengo, com vista ao fomento da produção da carne de frango, por via da valorização da cadeia de valor, no âmbito da estratégia do Executivo de estímulo à produção nacional.
O ministro de Estado encabeçou uma comitiva multissectorial, integrada pelos Ministérios da Agricultura e Florestas, Indústria e Comércio, Energia e Águas, Pescas e Recursos Marinhos, bem como pela Secretaria do Presidente da República para o Sector Produtivo, Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA) e Fundo Soberano de Angola.