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Moçambique perde 267 mil hectares da sua floresta anualmente

Moçambique perde 267 mil hectares da sua floresta anualmente
Moçambique perde 267 mil hectares da sua floresta anualmente Imagens: DR

Redacção

Publicado às 21h30 04/06/2026 - Actualizado às 21h33 04/06/2026

Beira - Moçambique enfrenta actualmente um dos seus maiores desafios ambientais, com a perda de cerca de 267 mil hectares de floresta por ano, o que representa aproximadamente 0,79% da cobertura florestal nacional.

Este alerta foi dado pela directora nacional do Ambiente e Mudanças Climáticas no Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, Sónia Muando, durante as comemorações do Dia Mundial do Ambiente, que se assinala a 5 de Junho.

Muando salientou que os principais factores que contribuem para a degradação florestal incluem a agricultura de subsistência, a produção de carvão vegetal, queimadas descontroladas e a expansão dos assentamentos humanos. Em suas declarações, a responsável afirmou que a conversão de áreas florestais para agricultura e produção de carvão, bem como a urbanização, reforçam a perda florestal.

A directora também alertou para o aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, como ciclones, secas e cheias, que acentuam a vulnerabilidade ambiental e socioeconómica do país. Apesar destes desafios, ela destacou os avanços na conservação dos ecossistemas e da biodiversidade, citando a restauração de cerca de cinco mil hectares de mangal em várias regiões, com a participação de comunidades locais e organizações da sociedade civil.

“Existem ainda cortes significativos de mangal, mas o envolvimento das comunidades na recuperação destes ecossistemas é notável”, acrescentou. Muando referiu-se aos danos causados pelo ciclone Kenneth em Cabo Delgado como uma demonstração da importância dos mangais na protecção das zonas costeiras, enfatizando que as comunidades reconheceram melhor o valor deste tipo de floresta após os desastres naturais.

Outro aspecto positivo mencionado foi a recuperação gradual da fauna bravia em algumas áreas de conservação, actualmente englobando cerca de 26% da superfície terrestre nacional e 5% da área marinha sob regimes de conservação.

Muando reiterou que o desafio é expandir as áreas marinhas protegidas, com o objectivo de cumprir as metas estabelecidas e de promover a conservação da biodiversidade e a resiliência climática. Para a directora, as áreas de conservação não devem ser vistas apenas como instrumentos de protecção ambiental, mas também como motores de desenvolvimento sustentável para as comunidades locais.

“Estamos a trabalhar para transformar a conservação da biodiversidade e das florestas numa oportunidade de desenvolvimento sustentável”, concluiu a directora.

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