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Governo lança projecto "AgriConnect" para acelerar diversificação económica

Produção agrícola
Produção agrícola Imagens: DR

Redacção

Publicado às 12h51 25/06/2026 - Actualizado às 12h51 25/06/2026

Luanda – O Governo angolano lançou, quarta-feira, em Luanda, o projecto compacto denominado "AgriConnect" 2025 - 2030, uma iniciativa que visa transformar o sistema agroalimentar, atrair investimento privado e acelerar a diversificação económica nacional ao longo dos corredores do Lobito e de Malanje.

O programa co-financiado pelo Banco Mundial, segundo a Angop, em coordenação com os ministérios da Agricultura e Florestas (MINAGRIF) e do Planeamento (MINPLAN), prevê uma mobilização financeira global de até 1.450 milhões de dólares norte-americanos a longo prazo.

Entre as principais metas sociais até 2030, destaca-se a criação de mais de 445 mil postos de trabalho, dos quais 40 por cento (cerca de 178 mil) serão destinados a mulheres.

De acordo com o documento metodológico do programa, apresentado pelo director do Gabinete de Estudo e Planeamento do MINAGRIF, Anderson Jerónimo, o AgriConnect surge para responder aos desafios estruturais do sector agroalimentar angolano e reduzir a dependência externa.

Actualmente, a agricultura representa 19 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e emprega 50,7 por cento da força de trabalho total do país.

O sector é dominado por cerca de 3,2 milhões de explorações familiares, que representam mais de 90 por cento da área cultivada e asseguram entre 80 e 85 por cento da produção de alimentos básicos.

Apesar desse potencial, o país regista ainda um elevado défice comercial agroalimentar anual, que ultrapassa os 2,4 mil milhões de dólares.

Segundo os dados apresentados, o plano identifica baixos índices de produtividade, devido à fraca utilização de insumos modernos e à irrigação limitada.

A média nacional de uso de fertilizantes fixa-se em apenas seis quilogramas por hectare (kg/ha) e a cobertura de irrigação atinge apenas 2,5 por cento da área cultivada (130 mil hectares a nível nacional).

Adicionalmente, verifica-se uma subutilização da capacidade agroindustrial instalada, incluindo um défice anual de processamento de cerca de 560 mil toneladas na produção de rações e uma capacidade ociosa na moagem industrial calculada em 3,6 milhões de toneladas por ano.

Para reverter esse quadro, o AgriConnect definiu metas macroeconómicas e sociais até 2030, estruturadas sob três eixos de impacto directo.

Na vertente crescimento económico, prevê-se reduzir a importação de alimentos para Angola entre 12 e 19 por cento, gerando uma poupança anual estimada entre 250 e 300 milhões de dólares.

No domínio da segurança alimentar e nutricional, o objectivo é garantir a segurança alimentar para 5,23 milhões de pessoas e retirar 186 mil crianças menores de cinco anos da condição de desnutrição crónica.

Enquanto no capítulo da inclusão social, estima-se a integração de 11 mil e 200 novos jovens produtores (menores de 35 anos) e a garantia de que pelo menos 45 por cento dos empregos no processamento agroindustrial sejam ocupados por mulheres, além de assegurar que 60 por cento das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME) rurais sejam lideradas por jovens.

Testemunharam o acto de lançamento, o ministro da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos, o director regional do Banco Mundial para a África Oriental e Austral, representantes de instituições financeiras, do sector privado e de organizações de produtores.

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