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Produtores de sal precisam de 12 mil Kg de iodo/ano

Produtores de sal precisam de 12 mil Kg de iodo/ano a preços acessíveis
Produtores de sal precisam de 12 mil Kg de iodo/ano a preços acessíveis Imagens: DR

Redacção

Publicado às 09h50 19/07/2026

Benguela – O presidente da Associação dos Produtores de Sal de Angola (APROSAL), Totas Garrido, defendeu, em Benguela, a necessidade de se disponibilizar anualmente cerca de 12 mil quilos de iodo aos produtores nacionais a preços acessíveis.
Deste modo, advoga Totas Garrido, estará garantida a qualidade e competitividade do sal produzido no país.
Falando a propósito do Fórum Nacional do Subsector Salineiro (Salmar 2026), orientado pela ministra das Pescas e Recursos Marinhos, Carmen dos Santos, o responsável considerou igualmente prioritária a criação de uma rede funcional de laboratórios certificados para assegurar o controlo da qualidade do produto.
Segundo Totas Garrido, a fiscalização deve ser reforçada, abrangendo não apenas a qualidade do sal, mas também todo o processo de rastreabilidade, desde a produção até à comercialização.
O líder da APROSAL afirmou que o encontro representa um sinal do compromisso do Estado com um produto estratégico para a economia nacional e defendeu uma abordagem integrada de toda a cadeia de valor.
"O negócio do sal não termina no produtor. Transformadores, transportadores, armazenistas e distribuidores desempenham igualmente um papel essencial na consolidação de um mercado estável e sustentável", sublinhou.
Referiu, por outro lado, que o mercado necessita de mais de 11 milhões de embalagens por ano, com padrões de qualidade adequados, para responder às necessidades da indústria salineira nacional.
Alerta
Apesar dos avanços registados, Garrido alertou que o sector continua a enfrentar dificuldades, devido aos elevados volumes de sal acumulados desde 2025.
Explicou que o excesso de oferta, aliado à redução do consumo interno, tem provocado a permanência dos stocks nos campos de produção, situação que pode desencorajar novos investimentos e comprometer o crescimento da actividade.
Na sua perspectiva, caso o actual cenário se mantenha, existe o risco de estagnação ou mesmo de redução da produção nacional nos próximos anos.
O presidente da associação recordou que, há cerca de oito anos, os produtores responderam ao desafio lançado pelo Estado para substituir as importações de sal, alcançando a auto-suficiência nacional.
“Nós produtores fomos capazes de garantir a auto-suficiência para o nosso país, provando a nossa resiliência. Este é o momento da nova reviravolta neste setor, enviando a nossa produção para lá das nossas fronteiras, facilitando e incentivando o processo de exportação”, frisou.
Defendeu, por isso, que o momento actual deve marcar uma nova etapa para o sector, centrada na promoção das exportações, através da simplificação dos procedimentos, da definição clara das regras de acesso ao negócio e da criação de incentivos para a colocação do sal angolano nos mercados internacionais.
Acrescentou que esse processo deve assentar na geração de emprego digno, na preservação do ambiente e no respeito pelas comunidades onde a actividade salineira é desenvolvida.
Para Totas Garrido, o Fórum Nacional do Subsector Salineiro constitui uma oportunidade para definir estratégias que assegurem um futuro mais competitivo e sustentável para a indústria do sal em Angola.
Sobre o Fórum SalMar 2026
O Fórum Nacional do Sector Salineiro – SalMar 2026 decorreu nos dias 15 e 16 na província de Benguela, com a participação de representantes dos departamentos ministeriais, governos provinciais, produtores, associações empresariais, comunidade científica, academia, sector privado e organizações internacionais.
Sob o lema "Produzir melhor, proteger mais: o Sal no caminho da Sustentabilidade”, o evento abordou temas como a Governança, Comércio e Resiliência Climática, com destaque para o quadro regulatório do sector do sal, a fiscalização e rastreabilidade da actividade salineira; Qualidade do sal, Certificação e Segurança Alimentar, com as normas de produção e controlo de qualidade.

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