Angola prevê produzir mais de 80 mil toneladas de peixe até 2030
Huambo – O director nacional da Aquicultura, António Sanda Onde, afirmou, esta sexta-feira, no Huambo, que Angola está a trabalhar para produzir, até 2030, mais de 80 mil toneladas de peixe para contribuir no reforço da segurança alimentar.
O responsável falava à imprensa, no final do I fórum de Aquicultura em Águas Interiores, numa iniciativa da Associação provincial de Aquicultores, decorrido numa das fazendas locais, sob o lema “Aquicultura no Huambo: produção e sustentabilidade”.
Afirmou que, conforme os dados disponibilizados, a aquicultura em Angola está a evoluir e precisa ser consolidada, até 2030, quando os números apontam para 35 mil produzidas em 2025.
“Nos últimos anos tínhamos uma produção de duas mil e 339 toneladas, em 2022, que subiu para 10 mil 538, em 2023, 22 mil e 47, em 2024, e 35 mil, em 2025”, referiu.
Encorajou a província do Huambo a ser um dos pólos importantes de aquicultura no país, a exemplo do Cuanza-Sul, que regista números satisfatórios de produção.
Disse que estão a criar estratégias para resolver o problema da ração, com medidas incluídas no Plano de Desenvolvimento Nacional 2027-2030, para uma produção sustentável.
Quanto ao evento, António Onde disse que serviu para reforçar a estratégia do Executivo em fomentar a aquicultura, para garantir a segurança alimentar e a criação de mais empregos, bem como assegurar a diversificação económica e a renda das famílias.
Por sua vez, o director do gabinete da Agricultura, Pecuária e Pescas da província do Huambo, João Lara, disse que a aquicultura na região possui muitos desafios, atendendo às limitações financeiras, acesso aos insumos de qualidade, escassez de assistência técnica, dificuldades de comercialização e a capacitação dos produtores.
Afirmou que a província do Huambo possui recursos hídricos, clima favorável e empreendedores capazes de transformar a aquicultura numa actividade geradora de emprego, rendimento e segurança alimentar.
Acrescentou que a aquicultura representa mais do que a produção de peixe, uma ferramenta de combate à pobreza, de criação de oportunidades para os jovens e mulheres, de diversificação económica e de promoção do desenvolvimento sustentável das comunidades rurais.
O presidente da Associação local de Aquicultores, Miguel Vasco, disse que a área tem potencial para impulsionar o desenvolvimento económico e social desta região, numa altura em que o país procura diversificar a economia, fortalecer a segurança alimentar, gerar emprego e novas oportunidades de rendimentos.
Considerou fundamental a promoção de espaços de diálogo, que aproximem o Governo, instituições públicas, produtores, academia, empresários e outros parceiros estratégicos, com foco no desenvolvimento da actividade.
Participante do fórum, o aquicultor Faustino Chinduco disse que a prática está em ascensão na província do Huambo e precisa ser mais explorada, apesar das dificuldades de aquisição da ração, que é mais disponibilizada em Luanda, capital do país, a um preço elevado do mercado, o que obriga os produtores a criarem a ração caseira, que nem sempre é sustentável.
Angola possui uma vasta rede hidrográfica, com 77 bacias catalogadas e enormes recursos, para o desenvolvimento da aquicultura, sobretudo a produção da tilápia (cacusso).
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