INCLUSãO FINANCEIRA

Anunciada nova etapa na inclusão financeira para alargar acesso ao crédito

Ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima MassanoImagem: Cedida

09/07/2026 21h09

Luanda - O Ministro de Estado para a Coordenação Económica anunciou, esta quinta-feira, em Luanda, que a próxima etapa da Estratégia Nacional de Inclusão Financeira (ENIF) passa por criar condições para que as empresas prestadoras de serviços de pagamentos móveis e digitais possam evoluir para a concessão de crédito.

José de Lima Massano discursava na abertura da décima quinta reunião dos Líderes da Iniciativa de Políticas de Inclusão Financeira Africana, que decorre no quadro das comemorações dos 50 anos do Banco Nacional de Angola (BNA), a assinalar-se a 05 de Novembro próximo.

Adiantou que a nova etapa será favorecida pelos progressos alcançados na melhoria do ambiente de negócios e da estabilidade macro-económica, criando condições para expandir o financiamento da economia, através de soluções mais inovadoras e acessíveis.

Destacou que a inflação registou, em Junho último, o nível mais baixo de variação de preços, desde 2015, e considerou que um ambiente de maior estabilidade protege o rendimento das famílias, preserva a poupança, incentiva o investimento e cria melhores condições para o financiamento da economia.

Explicou que a ENIF assenta numa abordagem integrada, que combina expansão do acesso aos serviços financeiros com o reforço da literacia financeira, o desenvolvimento da infra-estrutura digital e a protecção dos consumidores, procurando facilitar o acesso abrangente a serviços financeiros, particularmente às mulheres, jovens e empreendedores de micro e pequena dimensão.

Deu a conhecer que a taxa de inclusão financeira em Angola atingiu 51,7 por cento no primeiro trimestre do corrente ano, que se aproxima da meta de 65 por cento definida para 2027.

Quanto à bancarização, revelou que actualmente ronda os 32 por cento da população, equivalente a 5,7 milhões de cidadãos integrados no sistema bancário, e sublinhou que a meta é elevar este indicador para 36 por cento até 2027, para permitir que aproximadamente oito milhões de cidadãos disponham de uma conta bancária.

O ministro de Estado informou que os pagamentos móveis e digitais crescem de modo acentuado, registando-se, no final do primeiro semestre de 2026, um aumento de cerca de 56 por cento comparativamente ao período homólogo, ou seja foram processados cerca de 1,4 mil milhões de transacções, essencialmente operações de transferências e pagamentos.

Sustentou que esta perspectiva ganha força com a melhoria do ambiente de negócios e estabilidade macro-económica nacional, e apontou a taxa de inflação de Junho último, fixada em 10,11 por cento, como a mais baixa variação de preços desde 2015.

“Com a inflação mais baixa, temos melhores condições para proteger os rendimentos, as poupanças e o investimento, mas também para potenciar o acesso ao crédito que poderá ocorrer a custos mais acessíveis”, enfatizou.

Participam na reunião, com duração de dois dias, governadores de bancos centrais, reguladores, decisores políticos e responsáveis pela formulação de políticas públicas, que abordam questões ligadas a promoção de sistemas financeiros inclusivos, resilientes e inovadores, capazes de responder aos desafios do desenvolvimento do continente africano.

Criada em Maio de 2017, durante a quinta Mesa Redonda Anual realizada em Maputo (Moçambique), a Iniciativa Africana de Política de Inclusão Financeira é a principal plataforma continental de reguladores do sector, congregando 32 países.

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