EXPORTAçãO
Angola perdeu 713 exportadores portugueses desde 2021
20/07/2026 10h13
Luanda - Menos 713 empresas portuguesas exportaram para Angola, em 2025, em relação a 2021, apesar de o valor das vendas ter aumentado 14,6 poir cento no mesmo período, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) de Portugal.
O número de empresas portuguesas que vendem bens para o mercado angolano passou de quatro mil 225, em 2021, para três mil 512, em 2025, uma quebra de 16,9 por cento, depois de ter atingido um máximo de quatro mil 784, em 2022, indicam as estatísticas oficiais consultadas pela Lusa.
Só entre 2024 e 2025 saíram 211 empresas do mercado angolano.
Entre 2021 e 2025, Angola desceu do quinto para o sétimo lugar, entre os destinos com mais exportadores portugueses, representando agora 16,3 por cento do total das empresas exportadoras nacionais, contra 18,8 por cento, em 2021.
A redução do número de agentes económicos revela uma forte concentração das vendas com 200 empresas a facturar 72 por cento do total.
Onze empresas asseguraram 24,4 por cento das exportações portuguesas para Angola, em 2025, e outras 189 empresas 47,6 por cento.
Outras duas mil 950 empresas, ou seja, 84 por cento dos exportadores, realizaram 26,7 por cento do valor exportado.
Os dados revelam ainda que duas mil e 20 destas empresas concentram em Angola mais de três quartos das suas vendas ao exterior, e quase metade (1.635) exporta exclusivamente para Angola, indicando elevada dependência do mercado angolano.
Em 2025, as exportações portuguesas de bens para Angola fixaram-se em mil e 90 milhões e 800 mil euros.
Já as importações portuguesas provenientes de Angola somaram 233,6 milhões de euros, mais do dobro face a 2024, com um crescimento de 144,4 por cento, resultando num saldo favorável a Portugal de 857,2 milhões de euros.
As máquinas e aparelhos lideraram as exportações para Angola, com 319,2 milhões de euros (29,3 por cento do total), seguidos dos químicos, com 137,5 milhões, produtos alimentares, com 119,6 milhões, e metais comuns, com 111,9 milhões.
Entre os produtos mais vendidos, destacaram-se os vinhos, com 53,7 milhões de euros, mais 21,9 por cento do que em 2024, medicamentos, com 51,5 milhões, e instrumentos e aparelhos para medicina e cirurgia, com 33,7 milhões, que subiram 35,8 por cento.
Do lado das importações, os combustíveis minerais representaram 83,1 por cento do total, com 194,1 milhões de euros, um aumento de 176,1 por cento, com o petróleo bruto a valer, isoladamente, 189,4 milhões, e seguem-se os crustáceos, com 17,8 milhões de euros, e bananas, com 5,2 milhões.
Dados preliminares apontam para uma subida de nove por cento nas exportações portuguesas para Angola, nos primeiros quatro meses de 2026, para 361,4 milhões de euros, lideradas pelas máquinas e aparelhos, com 104 milhões, químicos, com 48,6 milhões, e produtos alimentares, com 40,7 milhões.
Seguiram-se os metais comuns, com 36,9 milhões de euros, produtos agrícolas, com 28,6 milhões, e instrumentos de óptica e precisão, com 27 milhões.
As importações portuguesas de Angola caíram 83,2 por cento no mesmo período, para 13,9 milhões de euros, não tendo sido registada qualquer importação de combustíveis minerais, entre Janeiro e Abril, face aos 71,5 milhões de euros do período homólogo.
Os produtos agrícolas representaram 71,8 por cento das importações portuguesas de Angola no mesmo período.
Portugal manteve-se, em 2025, como o segundo maior fornecedor de Angola, mas foi apenas o vigésimo terceiro cliente do país, absorvendo 0,5 por cento das exportações angolanas, segundo dados do International Trade Centre.
A quota portuguesa nas importações angolanas recuou de 11,9 por cento, em 2021, para 9,8 por cento, em 2025, de acordo com a mesma fonte.