TURISTAS
Entradas de turistas devem gerar receitas para os seguros
02/08/2026 15h31
Luanda - O painel de especialistas do VI Fórum Banca & Seguros sugeriu a implementação de um seguro de viagem obrigatório para turistas estrangeiros, com o propósito de conferir maior confiança e segurança jurídica a toda a cadeia de valor do sector em Angola.
Realizado pela Associação de Jornalistas Económicos de Angola (AJECO), o Fórum Banca & Seguros discutiu o tema "A Importância do Turismo Como Factor de Desenvolvimento Económico e Social" e contou com a presença do ministro Márcio Daniel, no discurso de abertura.
Na abordagem do subtema "O Papel dos Seguros Como Factor Impulsionador do Turismo Nacional - Desafios e Oportunidades de Desenvolvimento", Domingos Pinto, da Viva Seguros, o economista Daniel Sapateiro, Joaquim Manvia, da Nossa Seguros, e Anderson Makengo, da Mundial Seguros, foram unânimes, afirmando que o mercado é atractivo para as empresas e pode multiplicar as receitas obtidas.
De acordo com Anderson Makengo, director de Organização e Património da Mundial Seguros, citado pelo JA Online, o número de 232 mil entradas de 2025, caso contribuísse, no mínimo, com seguro de 100 mil kwanzas representaria uma receita de 23,2 mil milhões de kwanzas, equivalentes a 23 milhões de dólares.
Para o técnico, há, desde logo, mercado, receita potencial e oportunidade de se multiplicarem os ganhos para toda a cadeia turística.
Já Joaquim Manvia, subdirector da Direcção de Agências e Protocolo da Nossa Seguros, não tem dúvidas de que as empresas seguradoras são a melhor aliada das operadoras de turismo para cobertura do risco que pode representar determinados segmentos.
Segundo lembrou, recentemente, uma figura mundial famosa cancelou a visita em Angola por causa do surto de ébola na vizinha República Democrática do Congo (RDC).
Joaquim Manvia disse que a situação poderia, no seu entender, servir de ocasião propícia para uma excelente proposta de seguro para a cobertura do risco, pois a fronteira entre os dois países, além de vasta, não cobre toda a parte do território nacional.
Para o economista Daniel Sapateiro, o contributo do Turismo no PIB está muito baixo, calculando-o entre 0,3 e 0,5 por cento.
Daniel Sapateiro avançou algumas sugestões, entre as quais, uma melhor definição e classificação dos tipos de turismo para que não se trate de cada subcategoria com as mesmas perspectivas, independentemente das especificidades que cada uma apresenta. Ainda assim , defende que a valorização das pessoas, da vida e da espiritualidade devem ser consideradas no momento de definir pacotes, produtos, serviços e programas de impacto económico por meio do Turismo.
Por sua vez, o director de Resseguros e Co-seguros da Viva Seguros, Domingos Pinto, disse ser fundamental que o mercado, os operadores e toda a cadeia do Turismo compreendam que o mais importante é focar-se na confiança.
Domingos Pinto afirma existir competência e também responsabilidade. Desde logo, afirmou, o diálogo faz-se necessário para permitir que a banca financia as seguradoras, tomem o risco das operações, a fim de que a indústria turística seja capaz de atrair visitantes e captar receitas.
Os intervenientes foram unânimes, atendendo ao facto de que se precisa de estratégias combinadas, para que o potencial identificado na actividade do Turismo em Angola seja transformada em contribuição positiva no processo de desenvolvimento económico.
No encontro, o ministro do Turismo, Márcio Daniel, tinha já assegurado, no início, que as empresas do sector, em 2025, mobilizaram negócios mais de 500 mil milhões de kwanzas e geraram 180 mil empregos.
Angola tem, neste momento, 23 empresas de seguros activas e está em fase de aprovação, por via da Agência Angolana de Regulação de Seguros (ARSEG), um conjunto de reformas legislativas para tornar mais efectiva a contribuição do sector.