SEMENTES

Inaugurada fábrica de beneficiamento de sementes na Huíla

Ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, inaugura, na província da Huíla, fábrica de processamento de sementesImagem: Edições Novembro

08/08/2026 17h57

Luanda - Uma fábrica de processamento e beneficiamento de sementes foi inaugurada, esta sexta-feira, no Lubango (Huíla), pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.

A fábrica, a segunda do género em Angola, é um investimento de uma empresa angolana privada, que surge para consolidar a região da Huíla como referência nacional na produção de sementes.

Trata-se de um investimento com capacidade instalada de tratamento de 35 mil toneladas de sementes/ano e, na campanha agrícola 2026-2027, estima-se o processamento de cinco mil toneladas de grãos de milho, trigo, arroz, massango, massambala, soja e feijão.

Ao intervir no evento, José de Lima Massano afirmou que a iniciativa representa um investimento na produtividade agrícola, segurança alimentar, valorização da produção nacional, assim como na construção de uma agricultura mais competitiva e resiliente.

Destacou tratar-se de um sinal da confiança do sector privado no credenciamento da economia nacional e sua resposta ao apelo que lançado pelo Executivo angolano para mais investimento privado, particularmente em áreas capazes de criar oportunidades de emprego e riqueza e bem-estar para os cidadãos.

Adiantou que investir na produção de sementes certificadas significa apostar no elo de toda uma cadeia agrícola, tendo reafirmado que o Executivo tem promovido reformas destinadas a melhorar o acesso aos factores de produção, fortalecer a agricultura comercial e familiar, incentivar o investimento privado e criar um ambiente cada vez mais favorável ao desenvolvimento.

Recordou que recentemente foi apreciado em Conselho de Ministros o Regulamento sobre a Protecção de Novas Variedades de Sementes, instrumento que protege os direitos dos melhoradores, estimula a investigação e incentiva o desenvolvimento de novas variedades adaptadas às características e necessidades do país.

Disse ter sido, igualmente, introduzido um modelo de Acordos Quadro para o fornecimento de sementes, permitindo melhor previsibilidade na produção e planeamento e maior segurança para os produtores e o próprio Estado.

Realçou que os desafios continuam significantes, pois Angola ainda importa uma parte importante das sementes que cultiva na sua agricultura, o que representa elevados custos para a economia nacional e uma forte exposição às oscilações nos mercados internacionais.

Por isso, sublinhou que iniciativas como a fábrica inaugurada assumem um significado estratégico e permitem aumentar a oferta nacional de sementes certificadas, melhorar a qualidade do material disponibilizado aos produtores e reforçar a capacidade do país para expandir culturas essenciais como o milho, arroz, soja, feijão e batata.

Por sua vez, a directora executiva da empresa investidora, Creusa Walter, frisou que o investimento é resultado do Aviso 10 do BNA, que permitiu a construção de raiz de uma linha de processamento/beneficiamento e de uma nova de tratamento e ensaque de semente, em 2024.

Para a empresa, disse, o maior desafio no processo foi a pesquisa das formulações industriais de semente de última geração que demorou mais de um ano, para obter todos os protocolos de Tratamento Industrial de Semente (TIS), que agora estão de acordo com o padrão internacional mais avançado.

Afirmou tratar-se de uma unidade que reforça a etapa final da cadeia de valor da empresa, que assenta em três componentes estruturantes e sequenciais, nomeadamente, pesquisa, desenvolvimento e inovação.

Salientou que o sector agro-pecuário representa cerca de 12 por cento do Produto Interno Bruto, e o país gasta anualmente cerca de 2,3 mil milhões de dólares na importação de produtos alimentares, razão pela qual o investimento na produção nacional de sementes certificadas assume um carácter estratégico.

Nos últimos dez anos, a sua empresa investiu 15 milhões de dólares no reforço dos pilares fundamentais da sua actividade, nomeadamente multiplicação de semente, processamento, selecção e melhoramento genético, bem como novas tecnologias.

A empresa, denominada "Jardins da Yoba", está sediada nos municípios de Chibia e Humpata (Huíla), e conta actualmente com mais de 400 colaboradores, distribuídos por sete unidades de produção nas províncias da Huíla, Cunene e Cuanza Sul, sendo uma das principais referências nacionais na produção de sementes de cereais, leguminosas e citrinos.

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