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Angola é destaque na publicação Business Insider África
27/08/2026 12h03
Luanda - Angola está a aproveitar as reservas de gás natural para desenvolver o complexo de amoníaco e ureia da AMUFERT, localizado no Soyo, província do Zaire, projecto avaliado em cerca de 2,0 mil milhões de dólares e parcialmente financiado pelo Afreximbank.
A unidade deve entrar em funcionamento no final de 2027 e produzir, aproximadamente, 4.000 toneladas de ureia por dia, o que permitirá satisfazer o consumo interno e gerar excedentes para exportação.
“Angola está a reforçar o seu papel como fornecedor alternativo de matérias-primas estratégicas, sobretudo de alumínio e fertilizantes, num momento de forte perturbação das cadeias globais de abastecimento”, lê-se numa análise da publicação online Business Insider Africa.
Num artigo intitulado “Angola steps into the breach – Angola vem em nosso auxílio”, na tradução livre, a que o Jornal de Angola teve acesso, a publicação destaca o potencial dos novos investimentos industriais angolanos num contexto de tensões no Estreito de Ormuz.
Segundo a Business Insider Africa, a nova fundição de alumínio da Huatong, localizada na Barra do Dande, província do Bengo, já iniciou a produção e realizou a primeira exportação, com o envio de cerca de 1.000 toneladas de lingotes de alumínio a partir do Porto de Luanda.
A primeira fase da unidade, lembra, prevê uma capacidade anual de 120.000 toneladas, enquanto a produção actual ronda as 240 toneladas por dia.
Alumínio e fertilizantesem destaque nas análises
A Business Insider Africa salienta que o desenvolvimento da indústria do alumínio pode beneficiar Angola num período em que as perturbações no Golfo estão a afectar o fornecimento mundial.
O alumínio é essencial para sectores como os veículos eléctricos, as energias renováveis e a indústria de defesa. Outro sector destacado é o dos fertilizantes.
Para a publicação, estes investimentos fazem parte de uma estratégia mais ampla de diversificação da economia angolana, que procura transformar as receitas provenientes dos hidrocarbonetos em capacidade industrial e reduzir a dependência do petróleo.
A estratégia inclui, ainda, a aposta no processamento de minerais críticos e no desenvolvimento de novas cadeias de valor.
A análise reconhece, contudo, que Angola enfrenta desafios relacionados com as infra-estruturas portuárias e ferroviárias, bem como com a volatilidade dos preços internacionais das matérias-primas.
O Corredor do Lobito, entretanto, é apontado como uma infra-estrutura com potencial para melhorar a circulação de mercadorias na África Central e Austral.
A Business Insider Africa considera que, apesar de a produção angolana ainda ser pequena face à dos grandes produtores do Golfo, a entrada de novos volumes de alumínio e, futuramente, de fertilizantes pode contribuir para reduzir a pressão sobre as cadeias internacionais de abastecimento.
Mais do que uma aposta industrial, a publicação internacional interpreta estes projectos como uma oportunidade para Angola ganhar relevância estratégica no comércio internacional, transformando recursos naturais em produtos processados, empregos, receitas de exportação e maior diversificação económica.