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Barragens de Ndúe e Calucuve reforçam segurança hídrica no Cunene

Ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, na inauguração das barragens do Ndúe e Calucuve
Ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, na inauguração das barragens do Ndúe e Calucuve Imagens: CIPRA

Redacção

Publicado às 11h07 06/09/2026 - Actualizado às 11h07 06/09/2026

Luanda - O ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, garantiu, este sábado, que a entrada em funcionamento das barragens do Ndúe e Calucuve reforça a segurança hídrica no Cunene e abre novas perspectivas para a agricultura, pecuária e a economia local, com impacto na criação de emprego para milhares de jovens.

João Baptista Borges falava na cerimónia de inauguração das infra-estruturas, presidida pelo Presidente da República, João Lourenço, e assistida pelo Presidente da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi, como convidado especial.

Na ocasião, afirmou ser exactamente este modelo de transformação que o Executivo pretende consolidar agora com as barragens de Ndúe e Calucuve, porque estas obras representam a promoção da coesão territorial, desenvolvimento humano e combate à pobreza.

Sublinhou que a inauguração das barragens representa igualmente uma demonstração da determinação política do Executivo em enfrentar um dos maiores desafios seculares das populações do Sul de Angola, que é a seca.

Segundo João Baptista Borges, durante décadas, milhares de famílias no Cunene viveram sob o peso da insegurança hídrica, da perda de gado, da limitação da produção agrícola e da vulnerabilidade social provocada pela escassez de água.

Enfatizou que, fruto da visão estratégica, surgiu o Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola (PCESSA), em 2019, considerado um dos maiores programas estruturantes de segurança hídrica, desenvolvimento territorial e inclusão social do país.

João Baptista Borges destacou os resultados já alcançados pelo programa, apontando o Canal do Cafu, com 165 quilómetros de extensão e inaugurado pelo Presidente da República, em Abril de 2022, como uma referência nacional e regional de transformação económica e social.

Sublinhou que o impacto do Canal do Cafu mudou profundamente a realidade do Cunene, porque onde antes predominavam os efeitos severos da seca, surgem agora campos agrícolas produtivos, aumento da actividade pecuária, crescimento do comércio local e novas oportunidades económicas para milhares de famílias.

O aumento da produção agrícola tem contribuído para o reforço da segurança alimentar, redução dos preços nos mercados e abastecimento de várias regiões, incluindo mercados da vizinha Namíbia, adiantou, realçando que, além dos ganhos económicos, as populações passaram a viver com maior estabilidade, esperança e confiança no futuro.

As duas barragens têm uma capacidade combinada de armazenamento de 311 milhões de metros cúbicos de água, a que se juntam cerca de dois milhões de metros cúbicos armazenados em 37 reservatórios, distribuídos ao longo de 186 quilómetros de canais revestidos, revelou o ministro.

Ndúe e Calucuve são dois dos cinco projectos estruturantes inseridos no PCESSA, em curso desde 2019, na província do Cunene.

A barragem do Ndúe, a 97 quilómetros da comuna sede de Mukolongodjo, município de Cuvelai, que passa pelos municípios de Chissuata e Cafima, vai beneficiar cerca de 55 mil habitantes e 60 mil cabeças de gado, numa primeira fase.

A infra-estrutura contempla também uma barragem de 32,80 metros de altura e mil e 500 metros de comprimento, com capacidade de armazenar 170 milhões de metros cúbicos de água, um canal adutor associado de 75 quilómetros e 15 chimpacas, para fins de cariz económico e social, beneficiando a população, a agricultura e o gado.

Por seu lado, Calucuve, que dista 34 quilómetros da comuna de Mukolongodjo, também situada no município de Cuvelai, vai beneficiar perto de 200 mil cabeças de gado e mais de 80 mil habitantes da região.

A barragem possui 31,60 metros de altura e dois mil 184 metros de comprimento, com capacidade para armazenar cerca de 141 milhões de metros cúbicos de água, e conta com um canal adutor de 240 quilómetros e 22 chimpacas.

A construção das barragens do Ndúe e Calucuve iniciou a 28 de Outubro de 2021, com o lançamento da primeira pedra, pela então ministra de Estado para a Área Social, Carolina Cerqueira.

Entre várias finalidades, Ndúe e Calucuve visam, essencialmente, reduzir a escassez de água na bacia do Cuvelai, abastecimento de água às populações e ao gado, garantir a segurança alimentar, promover o fortalecimento da agricultura, bem como impulsionar actividades turísticas e fomentar a restauração de equipamentos públicos.

O Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola visa o abastecimento de água às populações e promover o fortalecimento da agricultura, nas províncias do Cunene, Huíla e Namibe.

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