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Angola e Botswana unem esforços para defender mercado de diamantes naturais

Presidente da República do Botswana, Duma Gideon Boko
Presidente da República do Botswana, Duma Gideon Boko Imagens: CIPRA

Redacção

Publicado às 11h18 09/09/2026 - Actualizado às 11h43 09/09/2026

Luanda - O Presidente da República, João Lourenço, disse que Angola e o Botswana vão reforçar a cooperação no sector dos diamantes para proteger e valorizar a produção de diamantes naturais, perante o crescente interesse em diamantes sintéticos no mercado internacional.

João Lourenço falava em conferência de imprensa, esta terça-feira, em Luanda, acompanhado pelo seu homólogo do Botswana, Duma Boko, após a assinatura de três instrumentos jurídicos entre os dois países.

O estadista angolano destacou a importância da indústria diamantífera para as duas economias, que figuram entre os maiores na produção no continente africano e entre os principais produtores mundiais de diamantes naturais.

“Diamante só é diamante aquele que é natural. Mas essa indústria que traz bastantes receitas para os nossos países, para o desenvolvimento dos nossos países, vem sendo ameaçada pelo surgimento repentino do chamado diamante sintético, que é feito em laboratório, não vem da natureza”, sublinhou.

Segundo o Presidente João Lourenço, o surgimento e a expansão dos diamantes produzidos em laboratório representam uma ameaça à comercialização da produção natural, sobretudo devido ao preço mais baixo dos produtos sintéticos.

“Vamos trabalhar de mãos dadas para continuarmos a valorizar o nosso diamante, uma vez que ele dá emprego ao nosso povo, aos nossos jovens e traz receitas para serem investidas em programas sociais, na saúde, na educação, nas infra-estruturas, de forma que possamos desenvolver os nossos países”, afirmou.

Por sua vez, o Presidente do Botswana apontou a forma como os diamantes são transaccionados como um dos principais desafios que afectam actualmente o sector.

Duma Boko referiu que o Botswana está a desenvolver uma “campanha robusta de marketing” dos diamantes provenientes dos países produtores, iniciativa que pretende reforçar a posição do produto no mercado internacional.

Neste sentido, manifestou o interesse do seu país em trabalhar com Angola, “igualmente um importante produtor de diamantes”, para assegurar que o sector continue a contribuir para as economias nacionais.

“Esperamos ansiosamente, neste sentido, trabalhar com a Angola, que é grande produtora de diamante também, e garantir que este produto continue a empoderar e a alimentar as nossas economias e apoiar vidas”, referiu.

O Presidente do Botswana destacou a convergência de posições entre os dois países em várias matérias, tendo Angola um parceiro importante no contexto regional e continental.

Dossier de Beers

Por outro lado, o Presidente angolano reafirmou o interesse de Angola em tornar-se accionista da De Beers, afirmando que o país está a trabalhar com todas as partes interessadas, em particular com o Botswana, que já integra a estrutura accionista da companhia.

Segundo João Lourenço, um entendimento com o Botswana poderá facilitar a concretização do objectivo angolano de conquistar uma quota relevante no capital da De Beers.

“Sendo Angola e o Botswana os dois maiores produtores de diamantes do continente, e não havendo tantos produtores de diamantes no mundo, penso que é justo que passemos a ser também accionistas da De Beers”, disse.

Desta forma, acrescentou, vai se poder controlar melhor a produção, sobretudo a comercialização desta importante commodity que é o diamante natural.

Por seu turno, o Presidente do Botswana afirmou que as negociações têm sido longas e que se encontram numa fase em que as partes mantêm reserva sobre os detalhes do processo.

“No tempo certo, quando o acordo for feito, vamos fazer os devidos anúncios. É suficiente, neste momento, dizer que Angola tem estado envolvida. Temos estado a interagir com Angola e temos tido boas deliberações. Estamos no bom caminho com Angola”, acrescentou.

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