Angola valoriza parceria com BAD mais orientada para resultados
Luanda – O secretário de Estado para o Planeamento, Luís Epalanga, disse, esta quarta-feira, em Luanda, que Angola valoriza uma parceria com Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) mais orientada para resultados, sustentabilidade e impacto efectivo na vida das populações.
Ao discursar na abertura da apresentação da Revisão da Eficácia do Desenvolvimento de Angola, referente ao período de 2016 a 2025, sublinhou que a parceria deve estar em alinhamento com as prioridades estabelecidas na Estratégia de Longo Prazo “Angola 2050” e no Plano de Desenvolvimento Nacional 2023–2027.
Luís Epalanga lembrou que, entre 2000 e 2025, os compromissos financeiros acumulados do BAD atingiram cerca de três mil milhões de dólares, dos quais aproximadamente 2,9 mil milhões foram aprovados entre 2013 e 2025.
Frisou que, nos últimos 10 anos, o Banco Africano de Desenvolvimento concluiu em Angola 11 projectos, que representaram um investimento acumulado de cerca de 1,1 mil milhões de dólares, nas áreas da energia, agricultura, água e saneamento, ambiente, governação e reforço institucional.
Segundo o secretário de Estado, estes investimentos ganham particular relevância, face a realidade demográfica de Angola, que, segundo o Censo 2024, aponta para cerca de 36,6 milhões de habitantes, dos quais 62 por cento com menos de 25 anos.
Deu a conhecer que, no sector da energia, os investimentos apoiados pelo banco contribuíram para que cerca de 1,3 milhões de pessoas passassem a ter acesso à electricidade, ao mesmo tempo que foram reforçadas as capacidades de geração, transmissão e distribuição de energia.
Realçou que no domínio da água e do saneamento, cerca de 550 mil pessoas passaram a beneficiar de acesso novo ou melhorado à água potável, enquanto aproximadamente 30 mil pessoas beneficiaram de melhores condições de saneamento, com impacto directo na qualidade de vida, saúde e bem-estar das famílias.
Em relação a agricultura, Luís Epalanga apontou que cerca de 50 mil agricultores adoptaram tecnologias mais produtivas e resilientes às alterações climáticas, contribuindo para o aumento da capacidade produtiva, segurança alimentar e melhoria dos rendimentos das famílias rurais.
Citou, a título de exemplo, que em Cabinda foram concedidos cerca de 1,98 milhões de dólares em microcrédito a três mil 714 beneficiários, dos quais dois mil 283 são mulheres, a par da reabilitação de estradas rurais destinadas a melhorar a ligação entre as zonas de produção e os mercados e a facilitar o escoamento dos produtos.
Adiantou que os resultados ganham significado quando os associados às prioridades do Executivo de diversificar a economia, aumentar a produção nacional, reforçar a segurança alimentar, gerar emprego e criar oportunidades de rendimento.
O secretário de Estado acrescentou que a parceria com o Banco tem igualmente contribuído para o fortalecimento da capacidade do Estado e para a criação de um ambiente institucional mais favorável à transformação económica.
Mencionou o Programa de Apoio à Diversificação Económica, no valor de 165 milhões de dólares, que apoiou reformas nos domínios da gestão do investimento público, administração fiscal digital, contratação pública e parcerias público-privadas.
Luís Epalanga enfatizou o Projecto de Desenvolvimento das Cadeias de Valor Agrícolas da Região Leste, avaliado em 211,4 milhões de dólares, e o Projecto Emprego para os Jovens – Crescer, no valor de 125 milhões de dólares.
Ressaltou ainda o Projecto de Saneamento Inclusivo das Cidades Costeiras, no valor de 124,4 milhões de dólares, a par das iniciativas associadas ao desenvolvimento económico do Corredor do Lobito e de novas operações nos domínios da energia e do financiamento às pequenas e médias empresas.
O Relatório de Revisão da Eficácia do Desenvolvimento de Angola (CDER) foi apresentado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), em parceria com o Ministério do Planeamento.
O documento evidencia os resultados alcançados através da parceria entre o BAD e Angola, bem como as oportunidades para apoiar a transição do País para uma economia mais diversificada, competitiva e integrada regionalmente.
Trata-se de um relatório que abrange o período de 2016 a 2025, onde a revisão demonstra de que forma o financiamento, o diálogo político e o apoio técnico do Banco contribuíram para as prioridades nacionais de desenvolvimento de Angola.