Ministro de Estado reforça apelo ao investimento no sector não petrolífero
Luanda - O ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, reiterou, esta terça-feira, em Nova Iorque, o apelo ao investimento no sector não petrolífero, numa altura em que este segmento da economia assume um papel crescente no desenvolvimento de Angola.
Ao intervir em representação do Presidente da República, João Lourenço, no Forbes África Day 2026, José de Lima Massano traçou o percurso de Angola desde a conquista da paz, em Abril de 2002, e destacou a transição de uma economia dependente do petróleo para outra mais diversificada, impulsionada pelas reformas económicas iniciadas em 2018, com o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI).
“Queremos continuar a atrair investimento estrangeiro não petrolífero para o país. A economia está a crescer para além do petróleo”, afirmou durante o evento, realizado sob o lema “Angola Beyond Oil” (Angola para além do petróleo), à margem da octogésima primeira Assembleia Geral das Nações Unidas.
José de Lima Massano revelou que Angola registou, este ano, um resultado próximo de mil milhões de dólares em investimento directo estrangeiro fora dos sectores do petróleo e do gás, o melhor desempenho alcançado até ao momento.
Segundo o ministro de Estado, a tendência mantém-se positiva e sustenta a expectativa de que o resultado possa ser ainda superior, até ao final do ano.
Destacou igualmente o desempenho recente da economia angolana que registou, no segundo trimestre de 2026, um crescimento de 8,74 por cento em termos homólogos, enquanto o sector não petrolífero registou uma expansão de 9,24 por cento.
Entre os sectores que estão a impulsionar esta transformação, apontou a agricultura, indústria transformadora, comércio, telecomunicações e turismo, sublinhando que o crescimento se está a verificar em diferentes áreas da economia.
Ao abordar a evolução da economia angolana desde o fim da guerra, José de Lima Massano destacou o processo de reformas iniciado em 2018, com o apoio do FMI, que contribuiu para restaurar a estabilidade macro-económica e criar condições mais favoráveis à actividade empresarial e ao investimento.
Entre as medidas implementadas, referiu o reforço da independência do banco central, a liberalização do mercado cambial, a facilitação da repatriação de capitais e os avanços registados no domínio da inclusão financeira.
Estas reformas fazem parte de um processo mais amplo de transformação da economia, que procura reduzir a dependência histórica do petróleo e criar novas fontes de crescimento, sublinhou.
José de Lima Massano destacou igualmente a posição geográfica de Angola como uma vantagem para os investidores, sublinhando que o mercado nacional deve ser visto não apenas pela dimensão das necessidades internas, mas também pela capacidade de servir outros mercados da região.
O governante referiu, neste contexto, as iniciativas de integração económica regional e os acordos estabelecidos com parceiros internacionais, que permitem produzir em Angola e alcançar outros mercados, criando condições para que o país se afirme como uma plataforma de produção e distribuição regional.
“O espaço de crescimento em Angola é muito amplo”, afirmou, acrescentando que existem oportunidades praticamente em todos os sectores, desde que os investidores estejam preparados para desenvolver projectos no país.
Turismo com potencial de crescimento
O turismo foi igualmente apontado pelo governante como uma das áreas com maior potencial de desenvolvimento, salientando que Angola possui recursos naturais e património ainda pouco explorados, incluindo áreas de elevada biodiversidade e vida selvagem.
Segundo o Ministro de Estado, o desenvolvimento do turismo exige, contudo, a expansão das infra-estruturas, área em que o Executivo tem vindo a realizar investimentos em água, energia, estradas e transportes.
Neste domínio, destacou a modernização das infra-estruturas aeroportuárias e o novo aeroporto internacional, considerando que a melhoria das ligações e das infra-estruturas constitui uma condição essencial para o desenvolvimento do turismo, da agricultura e da logística.
A diversificação económica, concluiu, está assim associada a um esforço mais amplo de criação das condições necessárias para que o investimento privado, nacional e estrangeiro, possa participar na transformação estrutural da economia angolana.
Promovido pela Forbes África Lusófona, em colaboração com a Forbes África e a Forbes Afrique, o encontro reuniu, em Nova Iorque, investidores, empresários, representantes governamentais, instituições financeiras e outros decisores para discutir o papel de África na economia global e as oportunidades de investimento, comércio e negócios no continente.