MINéRIOS
Ministro encoraja refinação de produtos minerais em Angola
04/09/2026 13h43
Longonjo - O ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Pedro Azevedo, encorajou, esta quinta-feira, no Huambo, as empresas angolanas a apostarem na refinação dos produtos minerais estratégicos em Angola.
Em declarações à imprensa, depois de visitar o projecto da Refinaria de Elementos Terras Raras do Longonjo, acompanhado do governador provincial do Huambo, Pereira Alfredo, disse que a iniciativa visa dar um valor acrescentado aos produtos minerais estratégicos, para robustez da indústria extractiva em Angola.
Afirmou que a transformação das terras raras em produtos intermediários ou finais ainda é complexa, embora seja um nicho no mercado a explorar.
Adiantou ter ficado satisfeito com a informação recebida da empresa Ozango Minerais, que já iniciou os estudos que, para além da produção, vai também fazer a separação e refinação dos minerais a serem produzidos na localidade.
Disse que, em 2028, do Projecto de Terras Raras do Longonjo serão extraídos quatro elementos de terras raras, dos dois inicialmente previstos, e o seu ministério vai trabalhar com a empresa para sair do concentrado, etapa difícil, para a separação e a refinação dos produtos minerais desta concessão.
Considerou ser um processo de alta complexidade, mas de forma paulatina vai se chegar aos objectivos, com a intervenção do Fundo Soberano, que herdou as acções da Ferrangol, num projecto com reservas aprovadas de exploração de mais de 20 anos.
Por seu turno, o presidente do Conselho da Administração da Ozango Minerais, Alcídio José, disse que a primeira fase do projecto terá um volume extractivo de cerca de 42 milhões toneladas de minério bruto e o processado deverá atingir perto de 20 mil toneladas/ano do concertado misto de terras raras.
Inicialmente, explicou, com o mapeamento da geologia dos recursos da zona de concessão foram identificados na primeira fase neodímio, praseodímio e depois de um trabalho foi, igualmente, identificado o prasiodinio e o disprosio, elementos com maior interesse económico de terras raras e com alguma concentração na zona de concessão.
Revelou que o projecto prevê contratar, na fase de construção, 600 funcionários directos e outros 400 para a exploração, sem contar com os serviços e provedores.
Lembrou que a mina tem um tempo estimado de exploração de 20 anos iniciais, de acordo com os estudos feitos.
Quanto ao processo de indemnização das famílias à volta da mina, com uma área de exploração de 33 quilómetros quadrados, informou existir um programa de reassentamento, que está a ser implementado, de forma faseada, e que perto de 100 famílias já foram indemnizadas.
As terras raras são substâncias encontradas em concentrações relativamente baixas, que precisam ser escavadas e processadas com reagentes químicos, cujo consumo, em todo o mundo, chega a 150 mil toneladas/ano.
Os tipos de metais terras raras chegam a 17, mas apenas seis tipos são mais conhecidos, designadamente neodímio, lantânio, praseodímio, gadolínio, samário e cério, segundo noticia a Angop.
De acordo com Diamantino Pedro de Azevedo, o projecto poderá posicionar-se entre os principais empreendimentos de exploração de terras raras a nível mundial, contribuindo para colocar Angola no mapa internacional da produção de minerais estratégicos.
Alcídio José deu a conhecer que o projecto apresenta actualmente uma execução física na ordem dos 27 por cento, estando previsto o início da produção comercial em 2028, depois da conclusão e inauguração da unidade de processamento e condicionamento, prevista para finais de 2027.
As famílias afectadas estão a beneficiar de reassentamento em outras localidades, atribuição de compensações monetárias, fornecimento de insumos agrícolas, fertilizantes e sementes, bem como acompanhamento e capacitação para a melhoria das técnicas de cultivo e continuidade das actividades económicas tradicionais.