CAMINHOS DE FERRO

CFB prevê recuperar 100 carruagens até 2027

CFB prevê recuperar 100 carruagens até 2027Imagem: DR

27/09/2026 14h56

Huambo – O Caminho de Ferro de Benguela (CFB) prevê reforçar, em 2027, a oferta de transporte de passageiros e de pequenas cargas, com a recuperação de 100 carruagens e dois comboios Camacov, entre Lobito e Luau.

O anúncio foi feito hoje pelo presidente do Conselho e Administração do CFB, António Manuel Cabral, durante a Expo-Huambo, que encerra neste domingo, sob o lema “Conectando negócios para diversificar a economia”.

Adiantou que numa primeira fase serão recuperadas 50 carruagens e, posteriormente, outras 50, numa operação destinada a aumentar a capacidade de transporte de passageiros e de pequenas cargas ao longo da linha.

Lembrou que as carruagens foram adquiridas em 2011 e 2012 e, desde então, enfrentam desgaste provocado pela falta de intervenções adequadas de manutenção e recuperação.

Explicou que os problemas abrangem, sobretudo, rodas, sistemas de travagem, iluminação, ar condicionado, assentos e mecanismos de abastecimento de água, além de infiltrações, condições que afectam a operacionalidade e a segurança das composições.

Para a primeira fase da recuperação, o Caminho de Ferro de Benguela dispõe de 200 rodados destinados a 50 carruagens e 48 rodados para oito locomotivas, adquiridos no âmbito do processo de concessão iniciado em 2024.

António Cabral disse que a capacidade de transporte de passageiros aumentou, este mês, de mil e 73 para mil 576 lugares, o que representa um crescimento de 46 por cento.

Actualmente, o serviço dispõe de composições com 10 carruagens para o Huambo, sete para o Cuito, cinco para o Luena e 10 no expresso do Lobito, contra as anteriores seis.

Para 2027, disse estarem previstos dois comboios Camacov, entre o Lobito e Luau, com 10 carruagens/cada, para reforçar a oferta de transporte ao longo da linha.

O gestor explicou que o Caminho de Ferro de Benguela assegura o transporte de passageiros e pequenas cargas até cinco toneladas, enquanto o transporte de mercadorias e a gestão da linha cabem à Lobito Atlantic Railway, no quadro da concessão.

Apontou, entre os principais produtos transportados em pequenas cargas, a cebola, batata, cenoura, feijão, milho, entre outros de produção agrícola, com a estação do Cuito a registar movimento significativo neste domínio.

António Cabral considerou que as actuais tarifas não permitem suportar, por si só, os custos de manutenção e recuperação do material circulante.

Lembrou que no percurso Huambo-Luena, o bilhete de terceira classe, por sinal a mais concorrida, custa dois 950 Kwanzas, enquanto entre o Cuito e o Luena a tarifa é de Kz dois 450.

Vandalismo

Apontou o vandalismo como um dos problemas que afectam o material circulante, com maior incidência em zonas das províncias do Huambo e do Bié.

Afirmou que o bairro São Pedro apresenta maior ocorrência ao nível da província do Huambo, enquanto no Bié os actos têm sido registados com maior abrangência nos municípios da Catabola e Camacupa.

Disse que os danos afectam, sobretudo, os vidros das carruagens, cuja substituição enfrenta dificuldades devido à reduzida disponibilidade de modelos compatíveis no mercado nacional.

Para reduzir os actos de vandalismo, explicou, o CFB desenvolve campanhas de sensibilização, em coordenação com as comunidades, igrejas, autoridades tradicionais e órgãos de defesa e segurança, com a mensagem de que “o comboio transporta a paz”.

Segundo António Cabral, as acções de sensibilização em Benguela contribuíram para reduzir os casos de vandalismo naquela província.

Adiantou que o Caminho de Ferro de Benguela prepara, também, a transição dos sistemas de travagem a vácuo para travões de ar comprimido, para além da incorporação de mais carruagens e da expansão dos serviços Camacov.

Afirmou que a medida deverá beneficiar localidades onde os comerciantes utilizam o transporte ferroviário para a movimentação de produtos agrícolas e outras mercadorias de pequena escala.

Realçou o reforço das plataformas logísticas da Caála e do Luau, como pontos de apoio à circulação de produtos e à ligação, entre produtores, comerciantes e mercados.

Corredor do Lobito

Sobre o futuro do Corredor do Lobito, António Cabral defendeu uma abordagem que ultrapasse o transporte de minerais e contemple a agricultura, a logística e o comércio regional.

Considerou que a produção agrícola das zonas do interior pode beneficiar da ligação ferroviária aos mercados nacionais e dos países do interior da África Austral, através de plataformas logísticas e pontos de concentração de mercadorias.

“É um corredor do mundo e não apenas de Angola”, afirmou.,

Defendeu maior integração dos diferentes intervenientes e o aproveitamento das oportunidades económicas geradas pela ligação ferroviária.

A respeito da Expo-Huambo, António Cabral considerou que a mostra constitui uma oportunidade para empresas e instituições estabelecerem parcerias, identificarem novos negócios e ampliarem as relações comerciais.

Comparou o evento a uma “bolsa de valores”, por reunir diferentes intervenientes num espaço com possibilidades de negócio e cooperação.

Caminho de Ferro de Benguela

O Caminho de Ferro de Benguela constitui uma das principais infra-estruturas ferroviárias de Angola e estabelece a ligação entre o Litoral e o Interior do País, até ao Luau, na fronteira com a República Democrática do Congo.

A linha integra o Corredor do Lobito, ligação estratégica entre o Porto do Lobito e o interior da África Austral, com importância para o transporte de minerais, mercadorias e produtos agrícolas, bem como para a dinamização das trocas comerciais regionais.

No quadro da concessão, a Lobito Atlantic Railway assumiu a responsabilidade pelo transporte de mercadorias e pela gestão da linha, enquanto o Caminho de Ferro de Benguela mantém a responsabilidade pelo transporte de passageiros e pequenas cargas.

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