Angola e Namíbia definem modelo de financiamento para construção de barragem
Luanda – Os ministros da Energia e Águas de Angola, João Baptista Borges, e da Indústria, Minas e Energia da Namíbia, Modestus Amutse, reuniram-se, esta sexta-feira, em Luanda, para analisar os progressos e definir o modelo de financiamento para o início da construção do Aproveitamento Hidro-eléctrico Binacional de Baynes, localizado no rio Cunene, na fronteira entre os dois países.
Os ministros João Baptista Borges e Modestus Amutse avaliaram os passos a dar para a construção da infra-estrutura, orçada em cerca de 1,5 mil milhões de dólares, projectada para produzir 860 megawatts de energia eléctrica, visando reforçar a segurança energética de ambos os países e acelerar a integração na África Austral.
Durante o encontro, João Baptista Borge sublinhou que o montante previsto refere-se a construção da barragem principal e regulação do caudal a jusante, para mitigar os impactos ambientais nos caudais de pico.
“Os custos não incluem as infra-estruturas associadas, como as linhas de transmissão e estradas de acesso, componentes a serem desenvolvidas individualmente por cada país”, esclareceu.
No plano da integração regional, João Baptista Borges ressaltou a interligação das redes eléctricas, através do projecto ANNA (Angola-Namíbia) e o desenvolvimento da futura sub-estação da Cahama, apontados como elementos essenciais para que a energia chegue aos sistemas nacionais e aos mercados da região.
Por sua vez, Modestus Amutse defendeu a transição célere do projecto da fase de estudos para a sua efectiva construção, sublinhando que a reunião serviu para analisar os modelos de financiamento e acelerar a implementação da obra.
“Chegou o momento de encerrar a fase de desenvolvimento e dar início às obras de construção”, assegurou, reiterando que se trata de uma empreitada vital para a sustentabilidade do sector, num momento em que a Namíbia continua a ser um país importador de electricidade.
Relativamente ao financiamento, Modestus Amutse explicou que, por se tratar de um projecto de elevado investimento de capital, os Governos dos dois Estados decidiram adoptar um modelo de implementação pública, para mobilizar fundos que garantam tarifas competitivas e acessíveis para os consumidores finais.
Enalteceu o apoio prestado pelas empresas públicas de electricidade de ambos os países, o papel do Pool de Energia da África Austral (SAPP) e o contributo de parceiros internacionais, como o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), o Fundo Sueco, o Fundo Coreano e a Facilidade Africana de Apoio Jurídico.
Durante a reunião, os dois governantes apelaram ao reforço da cooperação e ao rigor técnico das equipas institucionais para transformar os entendimentos bilaterais em decisões operacionais, acompanhadas por cronogramas de execução definidos.
Dados técnicos preliminares indicam que o Aproveitamento Hidro-eléctrico Binacional de Baynes será constituído por uma barragem de betão compactado a rolo, com 200 metros de altura, mais de um quilómetro de extensão, uma albufeira com 40 quilómetros de comprimento e uma área inundada de 58,15 quilómetros quadrados, no seu nível de pleno armazenamento.
A estrutura também vai integrar um canal de adução, tomadas de água, condutas forçadas e uma central de geração equipada com quatro unidades de 215 megawatts cada, perfazendo os 860 megawatts.
A energia produzida será injectada nas redes nacionais de Angola e da Namíbia, através de linhas de interligação regional.