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Destacada diversificação económica e investimento na cimeira do Financial Times

Ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, participou, por videoconferência, no Financial Times Africa Summit 2026
Ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, participou, por videoconferência, no Financial Times Africa Summit 2026 Imagens: Cedida

Redacção

Publicado às 18h20 21/10/2026 - Actualizado às 18h20 21/10/2026

Luanda - O ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, destacou, esta quarta-feira, em Luanda, a diversificação económica e a mobilização do investimento privado como prioridades da estratégia de financiamento do desenvolvimento de Angola.

José de Lima Massano falava, por videoconferência, a partir de Luanda, no Financial Times Africa Summit 2026, realizado em Londres (Inglaterra).

Ao participar no painel “The Future of Finance” (O Futuro das Finanças), José de Lima Massano abordou as reformas destinadas a melhorar o ambiente de negócios, ampliar a participação do sector privado na economia e atrair investimento nacional e estrangeiro para além do sector petrolífero.

Referiu que Angola está a reforçar as condições de estabilidade e consolidação fiscal, de modo a assegurar capacidade para mobilizar financiamento nos mercados interno e externo, em paralelo com a diversificação da economia.

Entre as medidas em curso, apontou o programa de privatizações, que já abrangeu quase uma centena de empresas públicas, através da transferência de activos para o sector privado e a abertura do capital a investidores privados.

Destacou igualmente o desenvolvimento do mercado de capitais nacional, que considera importante para reforçar a confiança dos investidores e criar alternativas de financiamento às empresas, afirmando que a Bolsa de Valores está operacional e conta já com seis grandes empresas cotadas.

Para o governante, a consolidação da confiança dos investidores nacionais constitui uma condição importante para ampliar a capacidade de Angola atrair capitais estrangeiros e criar um ambiente favorável ao desenvolvimento da actividade empresarial.

Crescimento económico e diversificação

Ao apresentar os resultados económicos mais recentes, José de Lima Massano salientou que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 8,74 por cento, no segundo trimestre de 2026, relativamente ao período homólogo, enquanto o sector não petrolífero registou uma expansão de 9,24 por cento.

O chefe da Equipa Económica realçou o peso crescente das actividades não petrolíferas na economia, com destaque para a agricultura.

Embora o petróleo e o gás continuem a desempenhar um papel estratégico, assinalou uma mudança na composição do investimento directo estrangeiro, historicamente concentrado no sector petrolífero, com uma presença crescente de capitais na economia não petrolífera.

Acrescentou que os esforços de diversificação começam também a reflectir-se na evolução do emprego e na redução da inflação, indicadores que enquadrou na trajectória de transformação económica do país.

Financiamento sustentável e notação financeira

Na discussão sobre as fontes de financiamento, José de Lima Massano considerou que Angola deve continuar a adequar o investimento público à capacidade de endividamento e de pagamento do Estado, sem comprometer a sustentabilidade das finanças públicas.

Defendeu, por outro lado, que a mobilização do capital privado e o recurso a mecanismos, como as parcerias público-privadas, podem contribuir para ampliar o financiamento do desenvolvimento, desde que acompanhados por condições adequadas ao investimento e à actividade empresarial.

Manifestou também satisfação com a criação de uma agência africana de notação financeira, considerando que esta poderá contribuir para avaliações mais ajustadas às realidades económicas do continente.

Na sua intervenção, observou que Angola tem honrado os seus compromissos financeiros, apesar das dificuldades enfrentadas ao longo dos anos, mas continua a suportar custos elevados no acesso aos mercados de capitais.

Uma melhor avaliação das economias africanas poderá, na sua perspectiva, ajudar a reduzir as limitações de acesso ao financiamento.

No final da sessão, José de Lima Massano convidou os participantes a estarem presentes em Luanda, nos dias 03 e 04 de Novembro próximo, para participarem na sexta edição do África Financial Summit (AFIS), que permitirá dar continuidade à discussão sobre os desafios do financiamento do desenvolvimento.

O Financial Times Africa Summit decorre nos dias 21 e 22 do corrente mês, em Londres, sob o lema "Mobilising Growth in a New Global Order" (Mobilizar o Crescimento numa Nova Ordem Global).

Na sua décima terceira edição, o encontro reúne Chefes de Estado, governantes, investidores e líderes empresariais para debater as perspectivas económicas do continente, as transformações do comércio internacional e as condições necessárias para mobilizar capital e promover o crescimento.

No painel "The Future of Finance" participaram também Taiwo Oyedele, ministro das Finanças e Coordenador da Economia da Nigéria, Jyoti Jeetun, ministra dos Serviços Financeiros e do Planeamento Económico das Maurícias, e Yvonne Ike, directora-geral e responsável pela África Subsaariana do Bank of America.

Entre as figuras de relevo presentes nesta edição da cimeira estão ainda o Presidente do Gana, John Dramani Mahama, o antigo Presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, e Aliko Dangote, presidente e director executivo do Grupo nigeriano Dangote.

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