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Angola regista produção de 664 mil toneladas de pescado

Barcos de pesca
Barcos de pesca Imagens: DR

Redacção

Publicado às 13h00 30/10/2026 - Actualizado às 13h00 30/10/2026

Luanda – Angola registou uma produção de 664 mil toneladas de pescado, das quais 411 mil da pesca industrial e semi-industrial e 253 mil da artesanal, disse, esta quinta-feira, em Luanda, a ministra das Pescas e Recursos Marinhos, Carmen dos Santos.

Ao discursar na abertura da segunda Conferência Internacional de Pesca e Aquicultura Sustentável (CIPAS) 2026, referiu que os resultados da produção deste ano demonstram a contribuição dos diferentes segmentos da pesca para a economia nacional.

Defendeu o reforço dos mecanismos de acompanhamento, fiscalização e monitorização da actividade, com particular atenção à pesca artesanal.

Destacou a importância da produção nacional, da ciência, do investimento e da sustentabilidade na gestão dos recursos pesqueiros, em alinhamento com as políticas públicas do Executivo e com o Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2022-2027.

Segundo Carmen dos Santos, o ministério identificou 215 locais de desembarque de pescado, dos quais 115 estão associados à pesca artesanal e formal, estando em curso esforços para melhorar o controlo da origem, circulação e distribuição do pescado.

A medida visa reforçar a rastreabilidade dos produtos, melhorar a qualidade da informação estatística e assegurar que as decisões de gestão dos recursos sejam sustentadas em dados científicos mais fiáveis.

Sublinhou que a melhoria do conhecimento sobre a produção artesanal constitui uma prioridade, tendo em conta a sua relevância económica e social, bem como a necessidade de integrar de forma mais eficaz este segmento nas políticas de gestão sustentável das pescas.

A ministra defendeu que a ciência deve constituir a base das decisões sobre a gestão dos recursos pesqueiros, incluindo a definição das possibilidades de captura para o próximo ano.

Neste âmbito, anunciou a preparação dos conselhos de gestão integrada, previstos para decorrer entre finais de Outubro e Novembro, para discutir e projectar o Total Admissível de Capturas (TAC) para 2027.

Salientou que a definição dos limites de captura deve considerar a composição e a complexidade da cadeia de valor das pescas, bem como a necessidade de preservar os recursos biológicos marinhos e aquáticos.

Acrescentou que a sustentabilidade do sector depende da articulação entre a indústria naval, a disponibilidade de embarcações e insumos, a actividade dos pescadores, o processamento, a distribuição, o comércio e a industrialização do pescado.

Aquicultura e segurança alimentar

No domínio da aquicultura, Carmen dos Santos apontou a necessidade de elevar a produção continental, com destaque para a tilápia, considerando o seu contributo para o aumento da disponibilidade de peixe e para a segurança alimentar e nutricional.

Defendeu igualmente uma melhor distribuição da produção nacional, de modo a garantir que o aumento da oferta se traduza em maior acesso ao pescado por parte da população.

Entre os constrangimentos do sector, referiu o impacto da conjuntura internacional sobre os preços do petróleo e dos seus derivados, com consequências nos custos operacionais das embarcações e, consequentemente, nos preços do pescado.

A ministra destacou ainda o potencial da economia azul para diversificar as actividades ligadas ao mar, defendendo uma abordagem que ultrapasse a actividade pesqueira e valorize a dimensão económica, ambiental e social dos recursos marinhos.

A decorrer sob o lema "a Sustentabilidade à Transformação: Inovar para Proteger, Produzir para Prosperar", o evento decorre até 30 do corrente mês, em Luanda.

A CIPAS 2026 reúne, além de Angola, especialistas de Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, Zâmbia e Noruega.

A conferência visa definir medidas e projectos estruturantes, além de criar mecanismos para redução das perdas e aumento do rendimento das famílias que sobrevivem da actividade pesqueira e aquícola.

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