Angola defende reforço do comércio bilateral com a RDC
Luanda - A Missão Permanente de Angola junto das Nações Unidas e outras Organizações Internacionais em Genebra, reafirmou o compromisso de Angola no estreitamento das relações comerciais com a República Democrática do Congo (RDC).
A declaração foi feita a propósito da 3.ª Revisão da Política Comercial da RDC, que decorreu, de 29 a 31 deste mês, sob a égide da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Na sua intervenção, Angola destacou a forte concentração do perfil de exportação da RDC em produtos primários de mineração como cobalto, cobre, diamantes, ouro e petróleo, destinados maioritariamente à China, União Europeia, Zâmbia e Médio Oriente, informa uma nota enviada ao JA Online.
A Missão Permanente de Angola alertou para o facto do comércio formal da RDC com outros parceiros da África Subsaariana ser ainda "estatisticamente negligenciável", apesar da vigência do Acordo que estabelece a Zona de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA).
Por outro lado, elogiou os esforços do governo congolês na diversificação económica e no alinhamento das suas alfândegas com as normas internacionais, incluindo a criação de Zonas Económicas Especiais (ZEE).
Ao analisar o relatório do Secretariado da OMC, a Missão Permanente de Angola referiu que a RDC aplica direitos Ad Valorem numa estrutura de quatro níveis nomeadamente 0%, 5%, 10% e 20%, onde a manufactura e a agricultura detêm a maior protecção nominal com 11,4% e 11,1%, respectivamente.
Angola manifestou solidariedade com estas medidas protectoras temporárias, mas reiterou a confiança de que a RDC irá manter o compromisso da AfCFTA de eliminar progressivamente as tarifas de importação de 97% das mercadorias comercializadas no continente.
O défice no sector dos serviços onde a RDC e Angola surgem como importadores líquidos, sobretudo na logística e transportes, também foi focado, tendo apontado o turismo e as viagens como um potencial inexplorado pelo país vizinho.
Balanço comercial modesto e o optimismo para o futuro
Com base nos dados do Relatório de Comércio Global 2025 da ONU, a declaração apontou para a actual assimetria e timidez do comércio formal entre os dois países.
As exportações de Angola para a RDC fixaram-se em 232,66 milhões de dólares, essencialmente barcos, máquinas industriais, bebidas e lubrificantes, ao passo que o fluxo inverso perfez apenas 5,52 milhões de dólares, composto maioritariamente por óleos essenciais, perfumes e cosméticos, um cenário que contrasta com a vibrante actividade do mercado informal ao longo da extensa fronteira partilhada.
Contudo, o ano de 2026 está a ser marcado por três grandes acordos estratégicos que prometem reverter a letargia do comércio bilateral e acelerar o Acordo Bilateral de Livre Comércio (ACL) em negociação, nomeadamente a assinatura do acordo de 1,5 mil milhões de dólares para a construção de uma linha de transmissão eléctrica de alta tensão com 1,160 km, assinado em Fevereiro deste ano, que ligará as barragens angolanas de Laúca e Caculo Cabaça às regiões mineiras congolesas de Lualaba e Haut-Katanga.
Outro dado relevante tem a ver com a celebração de um Memorando de Entendimento Financeiro rubricado em Julho deste ano, entre o Banco Nacional de Angola (BNA) e o Banco Central do Congo (BCC) para a integração de mecanismos bancários transfronteiriços e facilitação de pagamentos.
A assinatura do acordo de 1.258 mil milhões de dólares entre os Presidentes João Lourenço e Félix Tshisekedi rubricado em Agosto último, para a modernização da linha ferroviária Dilolo-Sakania com 1.004 km, visa garantir o escoamento do cobre e cobalto da RDC através do Corredor do Lobito e do porto do Lobito.
A declaração de Angola concluiu augurando votos de paz, progresso e o reforço dos laços de amizade duradoura entre Angola e RDC.