Ministra das Finanças destaca realização em Luanda da Cimeira Financeira
Luanda – A ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, destacou a estabilidade política e o ambiente de negócios, como factores essenciais para assegurar e estimular a participação de investidores privados e atrair capital internacional para os países africanos.
Ao intervir, esta terça-feira, em Luanda, no painel "Fazendo o capital contar: Transformar a força financeira de África num motor de crescimento e emprego", da sexta Cimeira da Indústria Financeira Africana (AFIS - sigla inglesa), adiantou que a consolidação dos fundamentos económicos constitui o primeiro passo para reforçar a confiança dos mercados e alavancar o crescimento do sector não petrolífero.
Vera Daves de Sousa disse que, entre os pilares vitais para a sustentabilidade económica, figuram o controlo da inflação, a sustentabilidade da dívida pública e os sinais positivos de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) não petrolífero.
“A estabilidade política, bom ambiente de negócios, inflação sob controlo, uma dívida sustentável e bons sinais do PIB não petrolífero, assim como o desempenho das receitas fiscais não petrolíferas têm demonstrado um crescimento sustentado, nos últimos anos, em Angola”, enfatizou.
Sublinhou o esforço em curso, no âmbito da digitalização da Administração Pública, processo que visa aproximar os serviços do cidadão e apoiar o alargamento da base tributária.
Salientou que a criação de infra-estruturas estratégicas como estradas, pontes, redes de transporte ferroviário e energia continua a ser uma prioridade, o que incentiva a adopção de parcerias público-privadas, concessões e recurso ao mercado de capitais para atrair maior volume de investimento privado nacional e estrangeiro.
Na sua intervenção, defendeu que a previsibilidade e a robustez das instituições são determinantes para blindar o ambiente de negócios contra eventuais disrupções associadas aos ciclos políticos.
Exortou para a necessidade de os governos dos países africanos serem capazes de transmitir confiança a quem investe, demonstrando que o quadro legal e o funcionamento das instituições são estáveis e contínuos.
A Cimeira sobre a Indústria Financeira Africana decorre até quarta-feira, sob o lema "Fazendo o capital contar: acelerar o crescimento através das finanças africanas", numa iniciativa da empresa Jeune Afrique Media Group, em parceria com a Corporação Financeira Internacional (IFC), membro do Banco Mundial.
Cimeira constitui oportunidade para atrair novos investimentos
Na ocasião, Vera Daves de Sousa salientou que a realização da Cimeira Financeira Africana em Luanda constitui uma oportunidade ímpar para o país atrair novos investimentos, estabelecer parcerias estratégicas e apresentar a robustez dos seus indicadores macro-económicos.
Em declarações à imprensa, à margem da abertura do fórum, a ministra ressaltou que acolher pela primeira vez a cimeira em Angola resulta de uma solicitação apresentada pela equipa económica angolana durante a edição anterior.
Segundo disse, a presença em Luanda de importantes operadores das finanças africanas e internacionais permite o contacto directo com o mercado local e o estabelecimento de pontes de financiamento para os sectores público e privado.
Vera Daves fez saber que os investidores e as instituições financeiras presentes na cimeira de Luanda já estão informados sobre o desempenho económico de Angola.
Destacou o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), impulsionado pelo sector não petrolífero, a redução da taxa de inflação para um dígito (8,43 por cento) e o rácio da dívida pública sobre o PIB abaixo dos 60 por cento.
Reiterou o compromisso das autoridades angolanas em manter a previsibilidade regulatória e alinhar as práticas nacionais com os padrões internacionais, garantindo aos investidores segurança jurídica no repatriamento de capitais e no ambiente de negócios.
Durante os dois dias de trabalhos, a agenda inclui reuniões bilaterais, painéis de debate e contactos com instituições como a Corporação Financeira Internacional (IFC), visando o financiamento da banca comercial local, pequenas e médias empresas e projectos de grande dimensão.