INSTITUIçõES FINANCEIRAS

José de Lima Massano defende reforço da cooperação entre instituições financeiras

Ministro da Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, na Cimeira sobre a Indústria Financeira Africana decorre em LuandaImagem: Edições Novembro

03/11/2026 20h13

Luanda - O ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, defendeu, esta terça-feira, em Luanda, o aprofundamento da cooperação entre as instituições financeiras africanas, para reforçar a confiança nos mercados e construir uma economia mais integrada e competitiva.

Ao intervir na abertura da sexta Cimeira da Indústria Financeira Africana, considerou que as próximas décadas serão decisivas para determinar o lugar de África na economia mundial, pelo que o continente deve financiar a sua industrialização, acelerar a sua integração económica, desenvolver as suas infra-estruturas e criar mais oportunidades para os cidadãos.

Sublinhou que, no actual contexto de incertezas geopolíticas, volatilidade financeira, fragmentação comercial, transições energéticas e mudanças tecnológicas, África entra com vantagens significativas.

Enumerou, entre outras vantagens, uma população jovem, os recursos naturais estratégicos para as cadeias globais de valor e um mercado continental em construção através da Zona de Comércio Livre Continental Africana.

Frisou que a transformação dos recursos em prol da dinamização económica, passa pela necessidade de atracção de investimento, da conversão da poupança em investimento produtivo, do financiamento de empresas competitivas, do apoio ao empreendedorismo, do desenvolvimento de infra-estruturas e da criação de oportunidades para os cidadãos.

Na ocasião, deu a conhecer que as receitas bancárias do continente ultrapassaram os 100 mil milhões de dólares, em 2024, equiparado aos níveis dos principais mercados emergentes.

Disse que, apesar de África dispor de instituições financeiras cada vez mais rentáveis, o crédito ao sector privado permanece limitado em muitas economias, com a agricultura, indústria transformadora e operadores de pequenas e média dimensão ainda insuficientemente financiados.

Durante a sua intervenção, José de Lima Massano precisou que cerca de 85 por cento do emprego em África está concentrado na economia informal, uma realidade que limita a arrecadação fiscal e restringe o acesso aos serviços bancários e ao crédito.

Perante essa realidade, sugeriu a digitalização dos serviços financeiros, incluindo a utilização de soluções baseadas em inteligência artificial, com vista reduzir custos, criar novos instrumentos de avaliação de risco e alargamento do acesso aos serviços financeiros por empresas e cidadãos que não dispõem das garantias formais normalmente exigidas pelo sistema bancário.

Transformação económica de Angola

No plano interno, assinalou o desempenho da economia angolana nos últimos tempos, com a aposta na sua diversificação e abertura à iniciativa privada.

Lembrou que, de acordo com as projecções do Fundo Monetário Internacional, de Abril último, Angola é a sexta maior economia de África, com um PIB nominal estimado em cerca de 152 mil milhões de dólares, e posiciona-se como a terceira maior economia da África Subsaariana.

Sustentou que essa projecção resulta da transformação da estrutura produtiva nacional, com a agricultura e pecuária, indústria transformadora, comércio, telecomunicações, serviços financeiros e logística e transportes a assumir um papel crescente na actividade económica nacional.

Quanto à economia não petrolífera, recordou que a mesma tem hoje um peso na estrutura do Produto Interno Bruto (PIB) do país com cerca de 85 por cento, e destacou os sectores da agricultura e pecuária, que aumentaram a sua influência, com cerca de 23 por cento.

A Cimeira sobre a Indústria Financeira Africana decorre até quarta-feira, sob o lema "Fazendo o capital contar: acelerar o crescimento através das finanças africanas", numa iniciativa da empresa Jeune Afrique Media Group, em parceria com a Corporação Financeira Internacional (IFC), membro do Banco Mundial.

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