Israel ataca infraestruturas do Hezbollah no sul do Líbano
Jerusalém - As forças israelitas bombardearam hoje um centro de comando e infraestruturas da milícia xiita Hezbollah, no sul do Líbano, em resposta aos lançamentos de rockets vindos do outro lado da fronteira, uma situação que marca a pior escalada fronteiriça na história entre os dois países.
De acordo com a agência de notícias Associate Press, durante a última semana, o Hezbollah ameaçou conduzir um ataque em grande escala contra Israel, em retaliação pelo assassinato do seu principal comandante militar.
Pelo menos duas pessoas foram mortas na manhã de sexta-feira num ataque de drone israelita em Naqoura, no sul do Líbano, no meio da intensificação dos ataques dirigidos ao Hezbollah, segundo a agência de notícias EFE.
O centro de operações de emergência do Ministério da Saúde Pública libanês anunciou em comunicado a morte de duas pessoas na sequência do ataque aéreo, sem adiantar detalhes das suas identidades ou possível filiação a algum dos grupos armados que combatem Israel.
A EFE refere que a cidade alberga a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) e só tem sido alvo de um número limitado de ataques direccionados desde Outubro.
Além disso, Israel disse que a sua Força Aérea atacou um centro de comando do Hezbollah na área de Hanaway e infra-estruturas de milícias em Ayta al-Shab, incluindo um lançador a partir do qual numerosos rockets foram disparados na quinta-feira em território israelita na zona de Biranit, na Alta Galileia.
Ontem à noite, Israel identificou o lançamento de cerca de 25 rockets em duas rajadas separadas que atingiram áreas despovoadas perto de Shlomi e do Kibutz Kabri.
Na manhã de sexta-feira, as sirenes antiaéreas foram activadas nas zonas de Manara e Kiryat Shmona, muito perto da fronteira libanesa-israelita, e o Exército identificou vários projécteis a atravessar o Líbano e a cair em zonas despovoadas.
A fronteira entre o Líbano e Israel está a viver a sua pior escalada desde a guerra de 2006, depois de o Hezbollah ter aberto fogo contra Israel em Outubro, em solidariedade com o grupo islâmico palestiniano Hamas, que controla a Faixa de Gaza e está em guerra com Israel.
Além disso, Israel espera um possível ataque em grande escala por parte do Hezbollah e do seu principal aliado, o Irão, em resposta aos assassinatos da semana passada de altos funcionários do Hamas e do grupo xiita.
O líder militar xiita Fuad Shukr foi morto num ataque israelita em Beirute, a 30 de julho, pouco antes do assassinato em Teerão do antigo líder político do Hamas, Ismail Haniyeh, num ataque que o Irão atribui a Israel.
O ministro da Defesa israelita, Yoav Gallant, avisou, quinta-feira, os habitantes libaneses que, se o Hezbollah continuasse a atacar Israel, estes responderiam com todas as suas forças.
Entretanto, as autoridades dos colonatos no norte de Israel alertaram os seus residentes que poderão acabar por passar vários dias nos seus bunkers, caso a escalada se concretize.
O Governo libanês, por seu lado, tem trabalhado num plano de contingência enquanto vários países pedem aos seus cidadãos que evacuem o país, que continua a utilizar os canais diplomáticos para tentar evitar conflitos abertos.
A escalada que eclodiu em Outubro custou a vida a quase 600 pessoas, a maioria do lado libanês e nas fileiras do Hezbollah, que confirmou 369 vítimas de milicianos e comandantes, alguns na Síria.
Em Israel, 47 pessoas foram mortas no Norte, incluindo 22 militares e 25 civis, incluindo os 12 menores que perderam a vida no ataque violento à cidade de Majdal Shams, nas Colinas de Golã ocupadas.