COMéRCIO BILATERAL

União Europeia convida China a dialogar sobre comércio

União Europeia convida China a dialogar sobre comércioImagem: DR

25/07/2025 08h44

Bruxelas - A União Europeia (UE) alertou quinta-feira que o relacionamento comercial com a China continua "gravemente desequilibrado" e advertiu que poderá adoptar "medidas proporcionais" para proteger os seus interesses, caso não haja avanços concretos.

"AUE e a China são parceiros comerciais importantes, mas o actual desequilíbrio é grave, com um défice comercial que atinge os 305 mil milhões de euros", afirmou a Comissão Europeia, em comunicado divulgado após as reuniões da presidente, Ursula von der Leyen, com o Presidente chinês, Xi Jinping, e o primeiro-ministro, Li Qiang.

Bruxelas manifestou preocupação com "distorções sistémicas persistentes" e o "excesso de capacidade industrial" da China, que considera agravar as desigualdades no acesso ao mercado.

O bloco europeu voltou a exigir progressos em questões comerciais de longa data, recordando que os investimentos chineses na Europa podem beneficiar a competitividade, o progresso tecnológico e a criação de emprego de qualidade, desde que exista reciprocidade.

"A UE continua disposta a participar num diálogo construtivo para encontrar soluções negociadas. Mas, enquanto tal não acontecer, adoptará medidas proporcionais e em conformidade com o direito internacional para proteger os seus legítimos interesses", advertiu a Comissão.

Pediu ainda que a China tome medidas concretas para melhorar o acesso das empresas europeias ao mercado chinês em sectores prioritários como a carne, cosméticos e produtos farmacêuticos.

O executivo comunitário exigiu também o fim das "represálias" contra exportações europeias de conhaque, carne de porco e produtos lácteos, bem como o levantamento de restrições à exportação de terras raras, que considera ter um "impacto negativo" nos sectores industriais europeus.

A nota oficial sublinha igualmente a necessidade de promover a reciprocidade na área digital, referindo que as empresas europeias enfrentam obstáculos significativos para operar na China.
A UE expressou ainda preocupações quanto à falta de clareza nas normas chinesas sobre segurança de dados e fluxos transfronteiriços, além de denunciar "actividades cibernéticas maliciosas" com origem na China.

Von der Leyen, acompanhada em Pequim pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou perante Xi Jinping que os desequilíbrios na relação bilateral estão a crescer, à medida que "a cooperação entre ambos se aprofunda".

Xi limitou-se a sublinhar que os laços entre China e UE devem "trazer mais estabilidade e certeza para o mundo" e apelou ao "respeito mútuo" e à busca de "pontos em comum, respeitando as diferenças".

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