China pede responsabilidade dos EUA e Rússia no desarmamento nuclear
Beijing - A China apelou hoje aos Estados Unidos e à Rússia para que assumam "com seriedade" a responsabilidade pelo desarmamento nuclear, após Moscovo propor a extensão do tratado Novo START, que expira em Fevereiro de 2026.
"O Governo chinês valoriza a atitude positiva da Rússia", declarou o porta-voz da diplomacia chinesa Guo Jiakun, numa conferência de imprensa em Beijing, noticiou a Lusa.
Como os dois países com os maiores arsenais nucleares do mundo, Estados Unidos e Rússia devem assumir com seriedade a sua responsabilidade especial e primordial em matéria de desarmamento nuclear, afirmou o porta-voz.
Guo apelou ainda à retoma da implementação do tratado Novo START e à negociação de um novo acordo que permita continuar a reduzir de forma "verificável, irreversível e juridicamente vinculativa" os arsenais nucleares das duas potências.
O Presidente russo, Vladimir Putin, propôs aos Estados Unidos a extensão por mais um ano do START III (ou Novo START), o último tratado bilateral de desarmamento nuclear entre Moscovo e Washington, que expira a 5 de Fevereiro de 2026.
No entanto, o chefe de Estado russo sublinhou que tal extensão "só será viável se os EUA agirem de forma recíproca e não tomarem medidas que minem ou destruam a actual equivalência de capacidades de dissuasão".
Putin defendeu que a proposta poderá criar um ambiente favorável à retoma do diálogo estratégico com Washington, suspenso há vários anos.
Nos últimos meses, Moscovo tem reiterado que o tempo para renovar o START III está a esgotar-se. O tratado estabelece um limite de 1.550 ogivas nucleares e 700 sistemas balísticos estratégicos (terrestres, navais ou aéreos) para cada uma das duas potências.