PRéMIO
Líder da oposição na Venezuela vence Prémio Nobel da Paz

11/10/2025 12h39
Luanda - A venezuelana María Corina Machado venceu o Prémio Nobel da Paz 2025.
O Comité Nobel Norueguês defendeu a sua escolha referindo-se ao seu trabalho "incansável de promover os direitos democráticos para o povo da Venezuela e pela sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia".
"No último ano, María Corina Machado foi forçada a viver às escondidas. Apesar das ameaças contra a sua vida, ela permaneceu no seu país, uma escolha que inspirou milhões", refere a organização responsável pela atribuição do prémio, acrescentando, ainda, que "quando o autoritarismo toma o poder, é crucial reconhecer a coragem dos defensores da liberdade que resistem".
"Vivemos num mundo em que a democracia está em declínio, onde cada vez mais regimes autoritários desafiam as normas e recorrem à violência", prossegue o comité, considerando que "a democracia é uma condição prévia para uma paz duradoura".
O Comité Nobel acrescenta-se que "a laureada com o Prémio da Paz deste ano, María Corina Machado, é um dos exemplos mais extraordinários de coragem civil na América Latina nos últimos tempos".
Um percurso de oposição
Nascida em 1967, na Venezuela, María Corina Machado é uma das principais vozes da oposição democrática ao Governo do Presidente Nicolás Maduro, tendo sido candidata favorita à vitória nas eleições presidenciais de Julho de 2024.
No entanto, foi impedida de concorrer quando, em Janeiro do mesmo ano, o Supremo Tribunal de Justiça, alinhado com o Governo, a proibiu de ocupar cargos públicos durante 15 anos.
Este é o único dos Nobel a ser atribuído em Oslo pelo Comité do Nobel Norueguês, com as restantes categorias a serem anunciadas em Estocolmo, capital da Suécia.
Este ano, 338 indivíduos e organizações foram propostos para o Nobel da Paz, lista que vai permanecer secreta durante 50 anos. Em 2024, o Nobel da Paz foi dado à organização japonesa Nihon Hidankyo (Confederação Japonesa de Organizações de Vítimas de Bombas A e H), um grupo formado por sobreviventes das bombas atómicas lançadas no Japão durante a Segunda Guerra Mundial e que defende a abolição de armas nucleares.
Este ano, e de acordo com os 'sites' de apostas que costumam reunir milhares de votos antes dos anúncios do Comité do Nobel, a lista de favoritos inclui, entre outros nomes, a iniciativa Salas de Resposta de Emergência no Sudão, uma rede de voluntários que ajuda 'online' as vítimas da maior crise humanitária do mundo, e a activista russa Yulia Navalnaya, viúva do opositor russo Alexei Navalny, que morreu em Fevereiro de 2024 quando cumpria uma pena de prisão numa cadeia no Ártico.
História do Prémio Nobel
Os prémios Nobel nasceram da vontade do químico, engenheiro e industrial sueco Alfred Nobel em doar a sua fortuna para o reconhecimento de personalidades que prestassem serviços à Humanidade.
O inventor da dinamite expôs este desejo num testamento redigido em Paris, em 1895, um ano antes de morrer. Os prémios foram atribuídos pela primeira vez em 1901.
Desde então, 105 Nobel da Paz foram atribuídos, com um total de 142 laureados (111 indivíduos e 31 organizações). Em 19 ocasiões este prémio não foi atribuído.
Entre os laureados, 19 foram mulheres e em três ocasiões o Nobel da Paz foi partilhado por três laureados, foi o caso do ano de 1994 quando Yasser Arafat, Shimon Peres e Yitzhak Rabin foram distinguidos "pelos esforços para criar a paz no Médio Oriente".
A entrega do Nobel da Paz realiza-se a 10 de Dezembro, data que assinala o aniversário da morte do fundador, em Oslo.
“Esta é uma conquista para toda a sociedade”
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, afirmou, sexta-feira, que a atribuição do Nobel da Paz é "uma conquista e um reconhecimento" para todos os venezuelanos, considerando que o prémio devia ser dado ao povo do país sul-americano.
"Esta é uma conquista para toda a sociedade. Sou apenas uma pessoa, não mereço isto", disse, quando foi acordada por uma chamada telefónica do secretário do Comité Nobel norueguês, Kristian Berg Harpviken, para a informar de que tinha ganhado o prémio.
"Estou muito grata em nome do povo venezuelano", reagiu, defendendo que os venezuelanos vão acabar por vencer e derrotar o regime autoritário que governa o país.
"Ainda não chegámos lá, mas estamos a trabalhar muito para o conseguir, mas tenho a certeza de que vamos ganhar", disse, adiantando que, pessoalmente, "não merecia o prémio".
"Espero que entendam que este é um movimento, a conquista de toda uma sociedade. Sou apenas uma pessoa. Certamente não mereço isto", referiu.
María Corina Machado admitiu estar "em choque" por ter recebido o Nobel da Paz, num vídeo entretanto gravado e enviado à agência de notícias francesa AFP pela sua equipa de imprensa.
"Estou em choque!", ouve-se María Machado a dizer a Edmundo González Urrutia, que a substituiu como candidato nas últimas eleições presidenciais devido à sua inelegibilidade política.