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Bangladesh insta Índia a extraditar ex-primeira-ministra condenada à morte

Bangladesh insta Índia a extraditar ex-primeira-ministra condenada à morte
Bangladesh insta Índia a extraditar ex-primeira-ministra condenada à morte Imagens: DR

Redacção

Publicado às 21h33 17/11/2025

Daka - O Bangladesh instou hoje a Índia a extraditar a ex-primeira-ministra Sheikh Hasina, que está exilada no país e que foi esta segunda-feira condenada à morte por ordenar a repressão violenta dos protestos que levaram à sua deposição.

Hasina, cujo regime era apoiado por Nova Deli, fugiu para a Índia de helicóptero a 5 de Agosto, quando os manifestantes invadiram a sua residência após semanas de manifestações.

O exílio de Sheikh Hasina, de 78 anos, reacendeu as tensões entre os dois países vizinhos.

Após um julgamento de cinco meses, os juízes de um tribunal da capital do Bangladesh, Daka, consideraram a ex-governante culpada de crimes contra a humanidade, incluindo incitamento a assassínios e de ordenar mortes, de acordo com a sentença hoje proferida.

O tribunal condenou igualmente à pena capital o ex-ministro do Interior Asaduzzaman Khan Kamal, que também se encontra em fuga.

O paradeiro do ex-ministro é desconhecido, mas o Bangladesh afirma que ele também se encontra na Índia.

"Instamos o Governo indiano a extraditar imediatamente os dois condenados para as autoridades do Bangladesh", declarou o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Daca em comunicado.

Para o Bangladesh, "conceder asilo a estes condenados seria extremamente hostil e uma ofensa à justiça".

O Ministério dos Negócios Estrangeiros indiano respondeu também através de um comunicado, sublinhando que "a Índia tomou nota do veredicto" contra Hasina.

"Como vizinho, a Índia continua empenhada nos interesses do povo do Bangladesh, incluindo a paz, a democracia, a inclusão e a estabilidade", destacou o Ministério, sem se referir à questão de uma eventual extradição.

A partir do seu exílio na Índia, Hasina, que sempre negou as acusações que lhe foram feitas, argumentou que o julgamento foi "politicamente motivado", ordenado por "um tribunal ilegal, nomeado e presidido por um Governo não eleito e sem mandato democrático".

"Um veredicto de culpada já está predeterminado, infelizmente", referiu Hasina, argumentando que "este é claramente um processo com motivações políticas".

As gravações apresentadas pela procuradoria, sugerindo que a antiga governante teria autorizado o uso de "armas letais" contra os manifestantes, foram "retiradas do contexto", afirmou a ex-primeira-ministra.

O líder do Governo interino do Bangladesh, liderado pelo Prémio Nobel da Paz Muhammad Yunus, saudou o "veredicto histórico" e advertiu contra qualquer "acto de indisciplina" ou "acção que possa infringir a lei".

Em Julho e agosto de 2024, os protestos antigovernamentais que obrigaram Sheikh Hasina a fugir do país, após 15 anos no poder, fizeram pelo menos 1400 mortos, segundo as Nações Unidas, a maioria civis.

O Bangladesh enfrenta uma intensa tensão política e tem eleições parlamentares marcadas para daqui a três meses.

Uma comissão de inquérito estimou recentemente que o Governo da antiga primeira-ministra ordenou o desaparecimento de mais de 250 membros da oposição.

Após vencer as eleições parlamentares no início de 2024, consideradas fraudulentas, o partido de Hasina, a Liga Awami, foi banido pelo actual Governo interino.

Na oposição durante o Governo de Hasina, o Partido Nacionalista do Bangladesh (BNP, na sigla em inglês) é considerado o favorito nas próximas eleições.

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