PAZ E RECONCILIAçãO

Plano de paz para a Ucrânia será discutida em Luanda pelos líderes europeus

Plano de paz para a Ucrânia será discutida em Luanda pelos líderes europeus Imagem: DR

22/11/2025 19h36

Joanesburgo - Os líderes da União Europeia vão reunir-se na segunda-feira, durante a cimeira UE-África em Luanda, para discutir a proposta de paz elaborada pelos EUA para a Ucrânia, adiantou o presidente do Conselho Europeu, António Costa.

“A proposta americana do plano de 28 pontos inclui elementos importantes que serão essenciais para uma paz justa e duradoura”, refere Costa, numa publicação no Facebook. “Estamos preparados para nos envolvermos, de forma a garantir que uma paz futura é sustentável. Convidei todos os 27 líderes da UE para uma reunião especial sobre a Ucrânia à margem da Cimeira UE-UA em Luanda, na segunda-feira.”

Também já foi anunciado que os conselheiros de segurança nacional dos países do E3 (aliança informal de segurança formada pela França, Reino Unido e Alemanha) vão reunir-se com responsáveis da União Europeia, dos Estados Unidos e da Ucrânia em Genebra, no domingo, para discutir o plano de paz proposto por Washington para a Ucrânia, disseram responsáveis à margem da cimeira do G20 em Joanesburgo.

Uma declaração conjunta de líderes europeus e de países aliados, como o Canadá e o Japão, que o Conselho Europeu emitiu na cimeira do G20 saúda “os esforços contínuos dos EUA para trazer a paz à Ucrânia”, mas defende que, apesar de o documento conter elementos essenciais, “a versão inicial é uma base que exigirá trabalho adicional”.

“Estamos prontos para nos envolvermos de forma a garantir que uma paz futura seja sustentável. Temos clareza sobre o princípio de que as fronteiras não devem ser alteradas pela força.

Estamos também preocupados com as limitações propostas às Forças Armadas da Ucrânia, que deixariam o país vulnerável a futuros ataques. Reiteramos que a implementação de elementos relacionados com a União Europeia e a NATO exigirá o consentimento dos membros da UE e da NATO, respetivamente.” No mesmo comunicado, o coletivo de países sublinha o “apoio contínuo à Ucrânia”, prometendo uma coordenação estreita com Kiev e Washington nos próximos dias.

Na cimeira em Joanesburgo, o Presidente francês Emmanuel Macron apelou a uma "remobilização" coletiva do G20 em torno de "algumas prioridades", considerando que o grupo das maiores economias mundiais tem dificuldade em resolver as atuais crises internacionais.

"O G20 pode estar a chegar ao fim de um ciclo (...). Estamos a viver um momento da nossa geopolítica em que temos muita dificuldade em resolver, juntos, à volta desta mesa, incluindo com os membros que não estão presentes hoje, as grandes crises internacionais", afirmou Macron, na abertura da 20.ª cimeira do G20, que decorre em Joanesburgo, na África do Sul, e que foi boicotada pelo Presidente norte-americano Donald Trump.

O Presidente francês acrescentou que todos têm de "estar cientes de que o G20 está em risco" se não se mobilizarem "coletivamente em torno de algumas prioridades".

Macron lamentou ainda que os países do G20 tenham "dificuldade em chegar a um padrão comum no espaço geopolítico", seja "a defesa do direito humanitário, a soberania dos povos, a dignidade humana".

"Não pode haver paz na Ucrânia sem os ucranianos, sem o respeito pela sua soberania", reforçou, enquanto os europeus procuram uma resposta ao plano americano para a Ucrânia. O chefe de Estado francês considerou ainda que "não pode haver estabilidade no Próximo e Médio Oriente, enquanto não houver uma luta ativa contra o terrorismo, mas também o respeito pela soberania de todos os povos", reforçou, citando também as crises dos Grandes Lagos e do Sudão, em África. É "absolutamente necessário mostrar que temos ações concretas para voltar a mobilizar este fórum e dar respostas às nossas economias coletivamente em torno desta mesa", insistiu o Presidente francês.

Os líderes do G20, reunidos na cimeira em Joanesburgo, apelaram a uma paz "justa" e "duradoura" na Ucrânia, assim como no Sudão, na República Democrática do Congo e nos “territórios palestinianos ocupados”. Nessa declaração, que não se foca na Ucrânia em particular, pode ler-se: “Guiados pelos propósitos e princípios da Carta da ONU na sua totalidade, trabalharemos por uma paz justa, abrangente e duradoura no Sudão, na República Democrática do Congo, nos territórios palestinianos ocupados e na Ucrânia, assim como para colocar fim a outros conflitos e guerras em todo o mundo.”

Esta é a única referência à Ucrânia no documento de 30 páginas, embora o plano de paz dos Estados Unidos para os ucranianos tenha interrompido a agenda da cimeira e os líderes europeus estejam a realizar inúmeras consultas para formular uma contraproposta.

Os líderes do G20 prometeram ainda proteger melhor o fornecimento de minerais estratégicos, essenciais para a transição energética, das perturbações geopolíticas e comerciais, segundo a declaração publicada pelo Governo sul-africano.

"Procuramos garantir que a cadeia de valor dos minerais estratégicos possa resistir melhor a interrupções, sejam elas decorrentes de tensões geopolíticas, medidas comerciais unilaterais inconsistentes com as regras da OMC [Organização Mundial do Comércio], pandemias ou desastres naturais", referiram no documento.

Muitos países estão a redobrar os seus esforços para garantir o acesso a estes minerais, que são também muito utilizados na eletrónica e são abundantes no continente africano, depois de a dependência destes recursos ter sido evidenciada pelas restrições impostas pela China às suas exportações de elementos de terras raras.

A cimeira do G20 - que reúne os países desenvolvidos e emergentes - realiza-se entre este sábado e domingo na cidade de Joanesburgo, na África do Sul, que é presidente rotativo do grupo.

Fundado em 1999, o G20 é composto por 19 países - Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, Coreia do Sul, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos --- além de duas organizações regionais: a União Europeia (UE) e a União Africana (UA).

 

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