CONFLITO

Trump acusa "liderança" ucraniana de ingratidão

Trump acusa "liderança" ucraniana de ingratidãoImagem: DR

23/11/2025 21h16

Washington - O Presidente norte-americano volta a elevar a pressão sobre o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, escrevendo, numa publicação na sua plataforma Truth Social, que a “liderança” ucraniana não demonstrou qualquer gratidão pelos esforços dos EUA.

Estas acusações surgem num momento em que Zelensky se vê confrontado com uma escolha difícil: tem até quinta-feira (prazo apresentado pela administração Trump) para “aceitar” o plano de paz proposto pelas autoridades norte-americanas, que têm em conta várias das reivindicações russas.

O plano de paz admite que a Ucrânia ceda territórios, aceite reduzir a dimensão do seu Exército e renuncie à integração na NATO. Em contrapartida, oferece garantias de segurança ocidentais (não especificados) a Kiev para impedir novos ataques russos.

“Herdei uma guerra que nunca deveria ter acontecido, uma guerra que é uma perda para todos, especialmente para os milhões de pessoas que morreram desnecessariamente”, escreveu Donald Trump, acusando depois Kiev, e recuperando um argumento usado por J. D. Vance contra Zelensky no encontro de fevereiro na Casa Branca em que o Presidente ucraniano foi, de acordo com vários analistas, encurralado. “A ‘liderança’ da Ucrânia não demonstrou qualquer gratidão pelos nossos esforços, e a Europa continua a comprar petróleo à Rússia. Os EUA continuam a vender enormes quantidades de armas à NATO, para distribuição à Ucrânia (o corrupto Joe [Biden] deu tudo, gratuitamente, de graça, incluindo muito dinheiro!). Que Deus abençoe todas as vidas perdidas nesta catástrofe humanitária!.”


Depois de Donald Trump ter acusado a liderança ucraniana de "não demonstrar gratidão", o ex-ministro da Defesa e secretário do Conselho de Segurança Nacional da Ucrânia, Rustem Umerov, disse esperar que a delegação do seu país que se encontra em Genebra, e que o inclui, avance este domingo nas negociações sobre o acordo. "As nossas propostas atuais, embora ainda não estejam finalizadas, incluem muitas prioridades ucranianas", escreveu o representante diplomático, na rede social X.

"Agradecemos aos nossos parceiros americanos por trabalharem em estreita colaboração connosco para compreender as nossas preocupações e chegarmos a este ponto crucial, e esperamos avançar ainda mais hoje."

Uma delegação ucraniana realizou, este sábado, conversações com as autoridades de segurança europeias em Genebra, conforme adiantou Andriy Yermak, chefe de gabinete de Volodymyr Zelensky. “Em geral, está prevista uma série de reuniões em vários formatos para hoje.” Estava ainda prevista uma reunião com a delegação dos EUA.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou, num novo comunicado, que as fronteiras da Ucrânia não podem ser alteradas pela força e que não deve haver limite de dimensão para as Forças Armadas do país que o deixem “vulnerável a futuros ataques”.

“Qualquer plano de paz credível e sustentável deve, antes de tudo, pôr fim às mortes e à guerra, sem lançar as sementes para um futuro conflito”, declarou von der Leyen. “A Ucrânia deve ter a liberdade e o direito soberano de escolher o seu próprio destino. Escolheu um destino europeu.” O plano deve também incluir a reconstrução do país, a integração no mercado único da UE e, eventualmente, a adesão plena ao bloco, segundo von der Leyen, que acrescentou que a “centralidade” do papel da UE deve ser “plenamente refletida” em qualquer plano para a Ucrânia, dados os receios de que a Europa tenha sido amplamente marginalizada do processo até agora.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, assumiu estar “cético” quanto à possibilidade de um acordo para a Ucrânia ser alcançado até ao prazo final de quinta-feira, estabelecido por Donald Trump. “Continuo, não quero dizer pessimista, mas continuo a não estar convencido de que as soluções desejadas pelo Presidente Trump sejam alcançadas nos próximos dias”, declarou Merz na cimeira do G20, em Joanesburgo. “O plano do Presidente Trump é chegar a uma conclusão na quinta-feira, mas ainda estamos longe disso... Estou cético quanto à possibilidade de tal resultado, dadas as atuais divergências.”

Já o Presidente da Ucrânia admitiu que o plano americano para pôr fim à guerra com a Rússia poderia incluir as “perspetivas ucranianas”, após reuniões na Suíça entre ucranianos, americanos e europeus. “Parece que as propostas americanas podem incluir uma série de elementos baseados nas perspetivas ucranianas e essenciais para os interesses nacionais da Ucrânia”, escreveu Zelensky na rede social X.

 

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