VATICANO

Papa celebra na Turquia a fé comum com os ortodoxos

Papa celebra na Turquia a fé comum com os ortodoxos e encoraja os católicosImagem: DR

28/11/2025 20h10

Istambul - O papa Leão XIV encorajou esta sexta-feira, em Istambul, a pequena comunidade católica da Turquia, antes de participar de uma oração com os ortodoxos por ocasião do aniversário de mil e 700 anos do Concílio de Niceia, considerado um marco fundador do cristianismo, noticiou a AFP.

No segundo dia da visita ao país de maioria absoluta muçulmana, o pontífice foi recebido com fervor por centenas de fiéis na catedral do Espírito Santo de Istambul.

A visita “é uma bênção para nós”, declarou à AFP Ali Günüru, um morador de Istambul de 35 anos, que está entre os 100 mil cristãos do país, apenas 0,1% dos 86 milhões de habitantes da nação.

“O mundo precisa de paz, em todos os lugares. Temos problemas graves, em particular na nossa região e no nosso país: os estrangeiros, os refugiados… acredito que o papa terá o poder de ajudá-los e que fará todo o possível. É o que mais desejo”, acrescentou.

Visivelmente emocionado, o pontífice, que tem cidadania norte-americana e peruana, encorajou padres e fiéis ao afirmar que “a lógica do pequeno é a verdadeira força da Igreja” católica, num país no qual os cristãos enfrentam um forte sentimento de exclusão.

“A presença tão importante de migrantes e refugiados neste país apresenta à Igreja o desafio de acolher e servir os mais vulneráveis”, acrescentou Leão XIV. A Turquia acolhe no seu território mais de 2,5 milhões de refugiados, a maioria sírios que fugiram da guerra no seu país.

Na tarde desta sexta-feira, Leão XIV visitará Iznik, a antiga Niceia, ao sudeste de Istambul, para celebrar com as autoridades ortodoxas os mil e 700 anos do primeiro concílio ecuménico.

A localidade recebeu, no ano 325, mais de 300 bispos do Império Romano que adoptaram o Credo, fundamento da fé cristã.

Convidado pelo patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, figura importante e interlocutor privilegiado do Vaticano entre os ortodoxos, o pontífice participará de uma oração ecuménica às margens do lago de Iznik. Inicialmente, o convidado era o papa Francisco, falecido em Abril.

Divididos desde o grande cisma de 1054 entre as Igrejas do Oriente e do Ocidente, católicos e ortodoxos mantêm um diálogo e celebrações comuns, apesar das divergências doutrinárias.

Os dois lados trabalham para encontrar uma data comum para a Páscoa, a festa mais importante do calendário cristão, que celebram segundo o calendário juliano ou gregoriano.

Num documento publicado no domingo, o chefe da Igreja Católica apresentou um convite a “caminhar juntos para alcançar a unidade e a reconciliação”, deixando “para trás as controvérsias teológicas”.

Num período em que “o mundo está perturbado e dividido por conflitos e antagonismos”, a visita de Leão XIV “é especialmente importante e significativa”, disse à AFP o patriarca de Constantinopla, que exerce uma primazia honorária e histórica sobre os demais patriarcas do mundo ortodoxo.

“Isto recorda aos nossos fiéis que somos mais fortes e mais confiáveis quando estamos unidos no nosso testemunho e na nossa resposta aos desafios do mundo”, destacou Bartolomeu I.

Os católicos reconhecem a autoridade universal do papa como chefe da Igreja, enquanto os ortodoxos, mais fragmentados do que nunca, estão organizados em Igrejas autocéfalas.

Em 2018, o influente patriarcado de Moscovo, liderado por Cirilo, rompeu com o de Constantinopla após este ter reconhecido uma Igreja independente na Ucrânia.

Como Cirilo não foi convidado para Iznik, Leão XIV terá a missão de evitar atritos com Moscovo, que teme que o Vaticano fortaleça o papel de Constantinopla como interlocutor privilegiado e enfraqueça a sua influência.

Segundo a imprensa local, o autor do atentado contra o papa João Paulo II em 1981, Mehmet Ali Agca, cidadão turco, teve que deixar Iznik, onde esperava se reunir com o pontífice “por dois ou três minutos”.

Depois de Paulo VI (1967), João Paulo II (1979), Bento XVI (2006) e Francisco (2014), Leão é o quinto papa a visitar a Turquia.

De domingo a terça-feira, o pontífice continuará o périplo com uma visita ao Líbano, devastado por uma crise económica e política desde 2019 e bombardeado com frequência por Israel nos últimos dias, apesar do cessar-fogo.

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