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Detidas 141 pessoas na Austrália em protesto contra o porto de carvão

Detidas 141 pessoas na Austrália em protesto contra o porto de carvãoImagem: DR

30/11/2025 21h39

Camberra - A polícia confirmou que 141 pessoas foram detidas desde quinta-feira por crimes relacionados com a navegação e a outras 18 foi aplicada a Lei de Delinquentes Juvenis, após milhares de manifestantes terem invadido o canal marítimo a bordo de caiaques ou a nado, no âmbito do “bloqueio popular” organizado pelo grupo ambientalista Rising Tide.

A Autoridade Portuária de Nova Gales do Sul suspendeu hoje todas as operações durante três horas, após considerar que a presença maciça de activistas representava "um risco para a segurança", avança o site Notícias ao Minuto.

A medida obrigou dois cargueiros de carvão a dar meia volta e a adiar a sua entrada no porto, informou a organização num comunicado.

O movimento Rising Tide afirmou ter recebido a confirmação de que "não entrariam mais navios de carvão durante o resto do dia", o que considerou um sucesso.

"Hoje é uma vitória do poder do povo. Quando o governo na falha, o povo deve levantar-se", afirmou a organizadora Zack Schofield.

As detenções incluíram activistas que se lançaram à água para bloquear a passagem dos navios.

"Nadei até ao canal porque vi em primeira mão os impactos das alterações climáticas. Foi uma decisão difícil e estava com medo, mas se não o fizer eu, quem o fará?", declarou Allison Stockman, uma educadora infantil detida esta manhã.

Entre as pessoas detidas estão também dois membros da Greenpeace que escalaram o casco do navio Yangze 16 para desfraldar uma faixa de cinco metros.

Os protestos, que incluíram um "protestival" com actuações musicais, vão continuar até terça-feira, enquanto a polícia mantém uma zona de exclusão marítima activa até segunda-feira de manhã.

A Austrália, um dos maiores produtores de carvão e emissores de dióxido de carbono (CO2) do mundo, se contabilizadas as suas exportações de combustíveis fósseis, comprometeu-se a reduzir suas emissões poluentes até 2030 e a atingir emissões neutras em 2050, embora continue a aprovar projectos de carvão e gás.

 

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