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Camboja líquida banco de magnata chinês detido por liderar rede de burlas

Camboja líquida banco de magnata chinês detido por liderar rede de burlas
Camboja líquida banco de magnata chinês detido por liderar rede de burlas Imagens: DR

Redacção

Publicado às 07h19 09/01/2026

Phnom Penh - O Camboja anunciou hoje a liquidação imediata do Prince Bank, propriedade do magnata chinês Chen Zhi, detido esta semana e extraditado para a China, onde é investigado por liderar uma rede transnacional de fraude e tráfico de pessoas.

Numa resolução publicada pelo Banco Nacional do Camboja, a entidade ficou impedida de aceitar depósitos e conceder empréstimos, um dia após Phnom Penh confirmar a detenção e entrega de Chen a Beijing.

A liquidação será supervisionada pela empresa Morisonkak MKA, que deverá garantir o levantamento dos depósitos pelos clientes e a continuação do pagamento dos créditos em curso.

O Prince Bank era uma das mais de 100 empresas do conglomerado Prince Group, fundado por Chen Zhi, que ao longo da última década expandiu-se em áreas como turismo, tecnologia, logística, alimentação e finanças. Várias dessas empresas foram identificadas por Washington como fachadas para esquemas de burla 'online' e redes de tráfico humano no Sudeste Asiático.

O ministério do Interior cambojano afirmou que a detenção de Chen, de 37 anos, ocorreu na terça-feira, "no âmbito da cooperação para combater o crime transnacional e a pedido das autoridades chinesas". A operação incluiu também a captura dos cidadãos chineses Xu Ji Liang e Shao Ji Hui, igualmente extraditados.

Phnom Penh revelou que Chen foi despojado da nacionalidade cambojana em Dezembro, por decreto real, meses depois de garantir que o empresário a tinha obtido legalmente. A detenção, segundo o comunicado, foi resultado de "meses de investigação conjunta" com a China.

Em Outubro passado, o Departamento de Justiça dos EUA acusou Chen de crimes financeiros ligados ao trabalho forçado. As autoridades norte-americanas alegam que o empresário liderava uma operação de burla 'online' "em escala industrial", envolvendo centenas de vítimas mantidas sob coação em instalações semelhantes a prisões no Camboja.

A justiça dos EUA confiscou 15 mil milhões de dólares (12,8 mil milhões de euros) em bitcoin ao grupo, na maior apreensão de criptomoedas na sua história.

No ano passado, o porta-voz do ministério do Interior do Camboja declarou que Chen não se encontrava no país e que nem ele nem a sua empresa enfrentavam acusações locais. A mudança de posição foi agora interpretada como sinal de maior alinhamento com Beijing no combate ao crime financeiro e às redes de burla transfronteiriça.

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