Itália actualiza política sobre Árctico no contexto da NATO e da UE
Roma – A Itália actualizou a política do país sobre o Árctico, manifestando vontade de contribuir para a defesa daquele território europeu, no contexto da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) e da União Europeia (UE).
"A Itália está convencida de que o Árctico deve ser sempre uma prioridade para NATO e UE e que a Aliança Atlântica deve aproveitar a oportunidade para desenvolver uma presença coordenada naquela região, capaz de prevenir tensões e responder à interferência de outros actores", lê-se no texto, assinado pela primeira-ministra, Giorgia Meloni.
As autoridades italianas optaram por ficar de fora do envio de efectivo militar para a Gronelândia, face à pressão crescente dos Estados Unidos da América (EUA) sobre aquele arquipélago autónomo da Dinamarca, membro de NATO e UE.
O ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, afirmou que "não se trata de uma competição para enviar soldados para todo o Mundo", já que a abordagem de Itália "é racional", defendendo que deve ser a NATO a coordenar esforços e "há necessidade de unir e não de dividir".
No documento lê-se que, "após a invasão russa da Ucrânia, a militarização daquela região, a cooperação mais estreita entre Federação Russa e República Popular da China, também no âmbito do Árctico, o fim da neutralidade da Suécia e da Finlândia pós entrada para a NATO e a posição dos EUA sobre a Gronelândia" há "factores de mudança, que também exigem que Itália atente à dimensão da segurança no Árctico".
Itália, que tem estatuto de observadora, no Conselho do Árctico, organismo que supervisiona aquela região desde 2013, reitera no texto que "a participação na NATO e na UE constitui o principal ponto de referência para a acção, visando fortalecer a estabilidade regional e a segurança colectiva, evitando a escalada e preservando, na medida do possível, as áreas de cooperação".
Ao actualizar sua política para o Árctico, os responsáveis italianos comprometem-se "a contribuir para a manutenção de uma zona de estabilidade, prevenindo a escalada e apoiando mecanismos multilaterais de diálogo e cooperação", bem como "a fortalecer a segurança colectiva euro-atlântica, em consonância com os compromissos de NATO e UE e com uma visão integrada dos diversos teatros estratégicos".
A estratégia italiana prevê ainda "o fortalecimento da consciência situacional por meio da integração das capacidades nacionais nos domínios terrestre, marítimo, aéreo, espacial e cibernético, com atenção especial à monitorização de acções humanas, condições ambientais e protecção de infra-estruturas críticas, incluindo subaquáticas e espaciais".
Na sessão de apresentação do texto, o ministro da Defesa italiano anunciou ainda o envio de uma "missão empresarial" para aquela região norte-europeia.