França contraria Rutte e diz que europeus podem e devem ter autonomia na Defesa
Paris - O Ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, afirmou hoje que os europeus "podem e devem" assumir a responsabilidade pela sua própria segurança.
Respondendo ao líder da NATO, Mark Rutte, que defendeu ser vital o apoio norte-americano, segundo a AFP.
"Não, senhor Mark Rutte. Os europeus podem e devem assumir a responsabilidade pela sua própria segurança", declarou o chefe da diplomacia francesa, Jean-Noël Barrot, na rede social X. Até os Estados Unidos concordam. “É o pilar europeu da NATO", acrescentou o ministro francês.
O secretário-geral da NATO considerou hoje que a Europa não se conseguiria defender sem os Estados Unidos, salientando que o desenvolvimento de uma Defesa autónoma no continente necessitaria de um investimento de 10% do PIB por Estado-membro.
Se alguém aqui acha que a União Europeia, ou a Europa, se conseguiria defender sem os Estados Unidos... Continuem a sonhar. Não conseguem. Não conseguimos. Precisamos uns dos outros", afirmou Mark Rutte numa audição no Parlamento Europeu.
O secretário-geral da NATO criticou a ideia, defendida por alguns euro-deputados nesta audição, que se deve desenvolver um pilar europeu de Defesa autónomo, que garantiria a protecção da União Europeia (UE) caso os Estados Unidos se retirem do continente, sugerindo que é irrealista.
Avisou ainda que "se quiserem realmente avançar sozinhos, esqueçam, porque nunca chegarão lá com 5% (do PIB destinado a Defesa). Seriam necessários 10%. Teriam de desenvolver as vossas próprias capacidades nucleares. Isso custa milhares de milhões de euros".
Mark Rutte acrescentou que, caso os europeus decidam avançar nesse sentido, acabariam também por perder a sua "garantia máxima de segurança, que é o 'guarda-chuva' nuclear dos Estados Unidos".
Por isso, bem, boa sorte, ironizou, reiterando que, se a ideia de um Pilar Europeu de Defesa é a de que "cada nação tenha uma força europeia de Defesa", isso criará "imensas duplicações" e só faria "com que as coisas ficassem mais complicadas". "Putin iria adorar. Por isso mais vale pensar duas vezes", disse.
No entanto, Mark Rutte defendeu que os Estados Unidos também precisam da NATO, salientando que o facto de terem ignorado a Europa após a Primeira Guerra Mundial foi "um erro", que os levou a terem de envolver-se na Segunda Guerra Mundial.
Disse que "e o Ártico também é prova disso. Eles precisam de segurança no Ártico, na região do Euro-atlântico e na Europa. Por isso, os Estados Unidos têm tanto interesse na NATO como o Canadá ou os aliados Europeus".
Rutte rejeitou ainda a ideia de que a actual administração dos Estados Unidos não está comprometida com o artigo 5.º da NATO, que estabelece o princípio da defesa colectiva, referindo que, na última cimeira dos líderes da Aliança, em Julho em Haia, ao comprometerem-se com um investimento em Defesa de 5% do PIB, os aliados tiraram a "pedra no sapato" que havia nas relações com Washington.
O assunto irritante desapareceu. Por isso há um compromisso total dos Estados Unidos com a NATO e com o artigo 5.º", garantiu, assegurando que, mesmo caso as prioridades das administrações norte-americanas mudem, "haverá sempre uma presença convencional americana na Europa muito forte." "E, claro, o 'guarda-chuva nuclear' irá manter-se", frisou.