Reino Unido insiste em reforçar laços com a China apesar das ameaças de Trump
Shanghai - O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, insistiu em que o Reino Unido tem “muito a oferecer” à China, após as suas tentativas de reforçar os laços durante uma visita ao país asiático aborreceram o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, noticia a AFP.
A viagem de Starmer à China, a primeira de um chefe de governo britânico em oito anos, segue os passos de outros líderes ocidentais que procuram contrabalançar a crescente volatilidade das políticas norte-americanas.
Questionado sexta-feira sobre a possibilidade de o Reino Unido “fazer negócios” com a China, o Presidente norte-americano advertiu que isso “é muito perigoso”. Starmer minimizou os comentários de Trump ao mencionar na China que o Trump deve visitar nos próximos meses o país asiático.
"Os Estados Unidos e o Reino Unido são aliados muito próximos, por isso conversamos antes sobre a visita com a sua equipa”, disse Starmer, em entrevista à TV britânica. Ele reuniu-se sexta-feira com os principais líderes chineses, entre eles o Presidente Xi Jinping e o primeiro-ministro Li Qiang.
Hoje, o líder britânico disse aos representantes empresariais do Reino Unido e da China que os dois países haviam feito “avanços reais”. “O Reino Unido tem muito a oferecer”, afirmou num fórum empresarial bilateral organizado pelo Banco da China, antes de visitar a cidade de Xangai.
Starmer assinou na véspera uma série de acordos, incluindo a isenção de visto para titulares de passaporte britânico que visitarem o território chinês por menos de 30 dias, mas admitiu que não há uma data para o início da medida.
Também assinou acordos de cooperação no combate às cadeias de abastecimento usadas por traficantes de migrantes, assim como nas exportações britânicas para a China, na área da saúde e no fortalecimento de uma comissão comercial bilateral.
A China também concordou em reduzir as tarifas sobre o whisky britânico de 10% para 5%, segundo Downing Street.
Starmer elogiou os acordos, além de anúncios milionários de exportações e investimento, como “simbólicos” do rumo tomado pela relação bilateral. Também afirmou que Beijing havia suspendido as sanções impostas desde 2021 aos parlamentares britânicos pelas críticas a supostas violações dos direitos humanos contra a minoria muçulmana uigur.
As relações entre a China e o Reino Unido haviam se deteriorado principalmente desde 2020, quando Beijing impôs uma severa lei de segurança nacional em Hong Kong e adoptou medidas enérgicas contra os activistas pró-democracia na ex-colónia britânica. Ainda assim, a China, segunda maior economia do mundo, continua a ser o terceiro maior parceiro comercial do Reino Unido.
Starmer prosseguirá a sua viagem à Asia com uma escala no Japão este sábado, onde se reunirá com a primeira-ministra do país.