DEFESA

PR da Colômbia pronto para "retomar as armas" face ameaças de Trump

PR da Colômbia pronto para "retomar as armas" face ameaças de TrumpImagem: DR

05/01/2026 20h00

Bogotá - O Presidente colombiano, Gustavo Petro, antigo guerrilheiro, afirmou-se hoje pronto para "retomar as armas" face às ameaças de ataques ao país feitas pelo homólogo norte-americano, Donald Trump, noticia ao site Notícias ao Minuto.

As palavras de Petro surgem num contexto de tensão crescente entre os dois países após o ataque militar norte-americano de sábado na Venezuela para prender o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

"Jurei não tocar em armas desde o acordo de paz de 1989, mas pela pátria voltarei a pegar em armas", escreveu o Presidente colombiano de esquerda na rede social X.

No domingo, a bordo do Air Force One, Trump declarou que uma operação na Colômbia semelhante à realizada na Venezuela lhe parecia "uma boa ideia" e acusou Gustavo Petro de tráfico de drogas para os Estados Unidos, avisando que "não continuaria a fazê-lo por muito tempo".

No mesmo dia, e também na rede social X, Petro criticou os Estados Unidos por serem o primeiro país a bombardear uma capital sul-americana, após o ataque da véspera a Caracas, dizendo que nem Netanyahu, Hitler, Franco ou Salazar o fizeram.

"Os Estados Unidos são o primeiro país do mundo a bombardear uma capital sul-americana em toda a história da humanidade. Nem Netanyahu o fez, nem Hitler, nem Franco, nem Salazar. Que medalha terrível essa, porque os sul-americanos não a esquecerão durante as próximas gerações", escreveu Petro.

Para o Presidente colombiano, "a ferida fica aberta durante muito tempo", mas "a vingança não deve existir" porque "mata o coração".

"Os parceiros comerciais têm de mudar e a América Latina tem de se unir ou será tratada como um servo e escravo e não como o centro vital do mundo. Uma América Latina com capacidade para compreender, negociar e unir-se a todo o mundo. Não olhamos apenas para o norte, mas em todas as direcções", frisou Petro numa longa mensagem.

Petro disse que pediu ao homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que procure uma aliança "antes de tudo deve ser a própria América Latina, que está sendo bombardeada", após observar que a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), da qual a Colômbia detém a presidência temporária, não é um fórum com capacidade de actuação.

"A CELAC actualmente não nos serve de nada por causa da sua regra de consenso absoluto, o que não falta é um ou uma presidente que prefere continuar a ser escravo de governos estrangeiros, que anseia ajoelhar-se perante o rei", afirmou, referindo-se a uma reunião virtual de ministros dos Negócios Estrangeiros convocada pela Colômbia para lidar com a situação na Venezuela, na qual não se chegou, no domingo, a qualquer acordo.

Horas antes da publicação da mensagem, o Presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou Petro, a quem acusou de "fabricar cocaína", com o envio para a Colômbia de uma missão norte-americana como a que atacou vários pontos da Venezuela e capturou Maduro.

Trump disse aos jornalistas a bordo do avião presidencial que, tal como a Venezuela, "a Colômbia também está muito doente", acrescentando que o país é "governado por um homem doente que gosta de fabricar cocaína e vendê-la aos Estados Unidos, e isso é algo que ele não vai fazer durante muito tempo".

A este respeito, Petro disse: "Rejeito profundamente que Trump fale sem saber, o meu nome em 50 anos não aparece nos ficheiros judiciais sobre tráfico de droga, nem antes nem agora. Pare de me caluniar, senhor Trump".

"Não lê a história da Colômbia e é por isso que falha quando nos critica. Só deve reunir-se com os seus funcionários especializados em investigações sobre drogas na Colômbia a quem eu ajudei com as minhas próprias investigações como senador da República de esquerda da Colômbia e do seu povo", acrescentou Petro.

 

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