POLíTICA
Médicos Sem Fronteiras negam entregar informações às autoridades israelitas
31/01/2026 21h30
Catar - A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), afirmou que não fornecerá às autoridades israelitas os dados pessoais de seus funcionários que trabalham em Gaza e em todo o território palestino ocupado, alegando preocupações com a segurança e a falta de garantias sobre como as informações seriam utilizadas, informa a Al Jazeera.
A decisão desta sexta-feira surge na sequência de críticas à declaração da MSF na semana passada, de que estaria preparada para divulgar os nomes de seus funcionários sob condições rigorosas – uma posição que gerou preocupação entre trabalhadores humanitários e defensores dos direitos humanos.
A organização afirmou posteriormente que não conseguiu obter as garantias solicitadas pelas autoridades israelitas e agora descartou o compartilhamento de quaisquer dados de funcionários "nas circunstâncias actuais", alegando riscos à segurança de seus trabalhadores.
No ano passado, Israel exigiu que várias organizações internacionais de ajuda humanitária entregassem informações detalhadas sobre seus funcionários, financiamento e operações, como parte do que descreveu como novos “padrões de segurança e transparência”.
A medida foi amplamente criticada por grupos humanitários, que afirmam que ela coloca em risco ainda maior os trabalhadores humanitários em um contexto no qual os militares israelitas já mataram mais de 1.700 profissionais de saúde desde o início de sua guerra genocida contra os palestinos em Gaza, em Outubro de 2023, incluindo pelo menos 15 funcionários da MSF.
Em 1 de Janeiro, Israel revogou as licenças de 37 organizações humanitárias – incluindo Médicos Sem Fronteiras (MSF), o Conselho Norueguês para Refugiados, o Comité Internacional de Resgate e a Oxfam – alegando que elas não haviam cumprido os novos requisitos.
Segundo as normas emitidas pelo Ministério da Diáspora de Israel, as organizações são obrigadas a apresentar informações sensíveis, incluindo cópias de passaportes, currículos e nomes de familiares, inclusive crianças.
As regras também permitem que Israel proíba a entrada de organizações que acusa de incitar o racismo, negar a existência de Israel ou o Holocausto, ou apoiar o que chama de "luta armada de um Estado inimigo ou de uma organização terrorista".
A MSF afirmou que, após meses de diálogo com as autoridades israelitas, concluiu que não poderia atender às exigências de forma segura.
A organização afirmou que essa posição foi definida após consulta com colegas palestinos, tendo a segurança dos funcionários como principal consideração.