Irão concorda prosseguir negociações com EUA após conversações em Omã
Omã - O chefe da diplomacia do Irão afirmou hoje que as conversações indiretas com os Estados Unidos em Omã decorreram num ambiente "muito positivo" e que Teerão e Washington concordaram em "prosseguir as negociações".
"Num ambiente muito positivo, trocámos ideias e foram-nos apresentados os pontos de vista da outra parte", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, à televisão estatal iraniana desde a capital de Omã, Mascate.
Abbas Araghchi acrescentou que ambas as partes "concordaram em prosseguir as negociações, mas que as modalidades e o calendário serão decididos posteriormente".
"O caminho a seguir dependerá das nossas consultas com as nossas capitais", adiantou.
Araghchi descreveu ainda que existirão várias rondas de negociações e que estas serão focadas principalmente em encontrar uma estrutura para futuras conversações.
O Governo de Omã confirmou que iriam decorrer hoje contactos indiretos entre os Estados Unidos e o Irão para "criar as condições apropriadas para reiniciar as negociações diplomáticas e técnicas" sobre o programa nuclear da República Islâmica.
Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros do reino de Omã, o titular da pasta, Badr al Busaidi, encontrou-se com Araqchi e também com a delegação norte-americana, designadamente com o enviado especial da administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, Steve Witkoff, e com o conselheiro e genro de Trump, Jared Kushner.
"As consultas concentraram-se na criação das condições adequadas para a retoma das negociações diplomáticas e técnicas, destacando a sua importância, dado o interesse das partes no sucesso e no ganho de segurança e estabilidade sustentáveis", disse.
Badr al Busaidi "reiterou o compromisso de Omã" em "continuar a apoiar o diálogo e a reaproximação entre as partes", bem como em "trabalhar com vários parceiros para alcançar soluções políticas consensuais que atendam aos objetivos e aspirações desejados".
O Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, deu instruções na terça-feira para negociar com os Estados Unidos, desde que as conversas ocorressem num "contexto favorável" e "livre de ameaças e expectativas irrazoáveis", numa referência à recusa de Teerão de incluir pontos no diálogo que fossem além do programa nuclear iraniano, nomeadamente aspetos relacionados com os mísseis balísticos ou a política interna da República Islâmica.
Donald Trump tem ameaçado repetidamente usar a força em resposta à repressão das autoridades iranianas das manifestações antigovernamentais que abalaram em janeiro a República Islâmica.
Nos últimos dias, avançou que pretende um acordo sobre a política nuclear iraniana, enquanto avisava Teerão de que o tempo estava a esgotar-se.
As ameaças de Trump foram acompanhadas pelo envio de uma força naval norte-americana para a região, incluindo o porta-aviões "Abraham Lincoln".
As autoridades iranianas têm indicado que não pretendem abdicar do programa de defesa, ao mesmo tempo que insistem que os planos nucleares têm fins pacíficos.
Estas conversações em Omã foram o primeiro contacto entre representantes de Washington e de Teerão desde os ataques a instalações nucleares iranianas realizados em junho pelos Estados Unidos, durante a guerra de 12 dias entre Israel e o Irão.