Bangladesh realiza eleições passados dois anos após a revolta popular
Dhaka - O Bangladesh vai realizar eleições nesta quinta-feira, 11 de Fevereiro, pela primeira vez após a revolta de 2024, mas agora sem o Partido da Liga Awami, que foi encabeçado por Sheikh Hasina, recentemente condenada à pena de morte por crimes contra a humanidade.
A antiga primeira-ministra assistirá a esta votação à distância, pois permanece exilada na Índia, muito longe do dia, em que, há dois anos, venceu com 64,45% dos votos e caminhava para o seu quarto mandato consecutivo.
No dia 5 de Agosto de 2024, milhares de manifestantes, na sua ampla maioria, jovens, caminharam até à residência oficial de Hasina, em Dhaka. Devido aos protestos, a primeira-ministra renunciou ao cargo e fugiu para o país vizinho.
Os jovens protestavam contra as repressões que a oposição recebeu durante o período eleitoral, a violência policial e a perseguição de minorias religiosas, bem como as quotas de 30% para descendentes da Guerra de 1971 nos trabalhos da função pública.
A 8 de Agosto do mesmo ano, o prémio Nobel da Paz, Muhammad Yunus assumiu o poder no país de forma interna com o intuito de trazer estabilidade ao país, até novas eleições.
Uma das primeiras medidas tomadas por Yunus foi proibir o Partido da Liga Awami, devido à ordem para a reação violenta policial às manifestações que matou cerca de mil e 400 pessoas, segundo a ONU. O relatório das Nações Unidas sublinha que a grande maioria dos mortos foi baleada pelas forças de segurança e que 12% a 13% eram crianças.
Em Junho passado, a ex-primeira-ministra Sheikh Hasina foi condenada por crimes contra a humanidade por um tribunal especial do Bangladesh, que mais tarde a condenou à pena de morte.
No dia em que se comemorou um ano da revolta popular, Yunus anunciou eleições para fevereiro de 2026, um ato eleitoral que será, ao que tudo indica, marcado por uma forte mobilização pela mesma Geração Z que conseguiu afastar a primeira-ministra, frisa a Reuters.
Os jovens queixam-se dos principais flagelos do país como a corrupção, o custo de vida e os empregos, uma vez que a taxa de desemprego na faixa etária em 2024 foi de 11,46%, de acordo com o Global Economy.
Com a proibição da Liga Awami, vão desta vez a votos o Partido Nacional do Bangladesh (BNP), partido nacionalista de centro/centro direita e o Jamaat, partido islâmico com forte influência do Paquistão, considerado de extrema-direita.
Analistas têm previsto que esta será a eleição mais competitiva e participada desde 2009, após a chegada de Sheikh Hasina ao poder.