Barco interceptado pela marinha cubana tinha pessoas com fins terroristas
Havana - A lancha norte-americana interceptada, quarta-feira, na zona costeira de Cuba transportava dez pessoas armadas com “intenções de realizar uma infiltração com fins terroristas” no território cubano.
As novas informações são avançadas pelo Governo cubano um dia depois de a guarda costeira do país ter intercetado uma embarcação com matrícula registada na Flórida, matando quatro membros da sua tripulação e ferindo os outros seis passageiros.
Segundo o jornal cubano “Cubadebates”, foram identificados sete passageiros da lancha, ficando por identificar três deles, que fazem parte das vítimas mortais. Todos os dez passageiros são cidadãos cubanos residentes nos EUA e o jornal afeto ao regime cubano afirma que a maioria deles tem um historial de atividade criminosa violenta.
Dois dos passageiros foram anteriormente submetidos a investigações criminais em Cuba e eram procurados pelas autoridades cubanas por alegado envolvimento em práticas ligadas ao terrorismo.
Entretanto, as autoridades detiveram em Cuba um outro cubano residente nos EUA que terá confessado estar relacionado com os passageiros da lancha.
Duniel Santos estaria em Cuba para receber a infiltração do grupo armado no país. O Cubadebates informa que foram apreendidas espingardas de assalto, armas curtas, cocktails molotov e coletes à prova de bala. A investigação das autoridades cubanas vai prosseguir, acrescenta o jornal cubano.
A intenção de entrar em Cuba para auxiliar a realização de ataques terroristas terá sido confessada pelos detidos às autoridades num inquérito preliminar. O Diario de Cuba, um jornal associado à oposição do regime cubano, nota que “até agora, Havana não apresentou provas independentes sobre a sua versão nem disse se vai permitir a verificação externa dos mesmos”.
Nos EUA também se lançaram dúvidas sobre os dados conhecidos até ao momento. O procurador-geral do Estado da Flórida defendeu que “não se pode confiar no governo cubano” ao anunciar a abertura de uma investigação ao sucedido que vai ser levada a cabo por autoridades estaduais e federais.
Também a administração norte-americana reagiu ao acidente através de Marco Rubio, que tem origem cubana.
“A maioria dos factos divulgados publicamente foram fornecidos pelos cubanos. Vamos verificar isso de forma independente à medida que reunirmos mais informações e estaremos preparados para responder em conformidade”, disse o secretário de Estado norte-americano.
Rubio acrescentou que é “altamente incomum ver tiroteios em mar aberto” e afastou qualquer envolvimento da administração Trump no incidente. Apesar disso, reconheceu que os EUA mantêm “contacto constante” com a guarda costeira de Cuba e que tiveram conhecimento do confronto mortal antes de ser anunciado por Havana.
A versão oficial de Havana é que a guarda costeira intercetou a lancha a cerca de uma milha náutica da costa cubana em Cayo Falcones, no município de Villa Clara, e pediu para a tripulação se identificar. Os passageiros terão aberto fogo, nessa altura, sobre a embarcação da guarda costeira cubana.
Segundo a versão do governo cubano, foi então que os efetivos da guarda costeira responderam matando quatro passageiros e ferindo os outros seis.