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Exportações portuguesas para os EUA caem 719 milhões de euros

Exportações portuguesas para os EUA caem 719 milhões de euros
Exportações portuguesas para os EUA caem 719 milhões de euros Imagens: DR

Redacção

Publicado às 11h39 27/02/2026

Lisboa -As exportações portuguesas para os Estados Unidos recuaram 719 milhões de euros em 2025, invertendo a trajetória de crescimento registada nos anos anteriores e encerrando o ano com uma contração homóloga de 13,45%.

Depois de, em 2024, Portugal ter vendido cerca de 5320 milhões de euros em bens para o mercado norte-americano, o valor fixou-se nos 4601 milhões de euros no ano seguinte, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Trata-se da primeira quebra desde 2021, interrompendo o ciclo de recuperações sucessivas após a pandemia, num contexto marcado por divergências constantes do presidente dos EUA, Donald Trump, quanto à aplicação de tarifas comerciais.

De acordo com o Jornal de Notícias (JN), o mercado norte-americano continua a representar 6% do total das exportações portuguesas, mantendo-se entre os principais destinos fora da União Europeia, mas o dinamismo perdeu força ao longo do ano à medida que se intensificaram as ameaças de taxação por parte da administração norte-americana.

A imposição de uma tarifa de 15% — ainda não em vigor — reacendeu tensões comerciais e agravou os custos de entrada no mercado dos EUA, mesmo em sectores que não foram diretamente visados, através da renegociação de contratos, adiamento de encomendas e maior prudência por parte dos parceiros comerciais.

O setor que mais contribuiu para a contração foi o dos combustíveis, cujas vendas para os EUA caíram 45,36%, passando de 1078 milhões de euros em 2024 para 589 milhões em 2025.

A quebra reflete tanto a volatilidade dos preços internacionais da energia como o impacto das novas tarifas. Em sentido oposto, os produtos farmacêuticos — principal setor exportador para aquele mercado — cresceram 5,3%, alcançando 1230 milhões de euros.

A Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) não detalha as razões deste aumento, mas, numa posição pública sobre o acordo comercial entre a União Europeia e os EUA, alerta que o pacto “ameaça as cadeias de abastecimento globais e dificulta o investimento em I&D, o que terá um impacto direto nos doentes, nos sistemas de saúde e na indústria farmacêutica”, acrescentando que o aumento de 15% nas tarifas será absorvido pelas empresas, “dado que o preço do medicamento é regulado”.

Nos sectores tradicionais, o comportamento foi desigual. O vestuário registou um crescimento próximo dos 3%, demonstrando resiliência num ambiente adverso. César Araújo, presidente da Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confeção, afirma que o setor “tentou adaptar-se a um mercado que tem muito potencial. Ainda exportamos pouco e queremos aumentar a nossa quota”, defendendo ainda que a Europa “fez um mau negócio” em julho e que os EUA “deixou de ser um parceiro fiável”.

Já a cortiça recuou 13,5% e a indústria do ferro e aço caiu cerca de 24%, penalizada pelas tarifas e pelo abrandamento da atividade industrial norte-americana.

Rafael Campos Pereira, vice-presidente executivo da Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal, refere que “o comportamento dos clientes norte-americanos tornou-se mais cauteloso, com adiamento de algumas encomendas, maiores exigências contratuais e por vezes com procura por fornecedores alternativos em geografias menos expostas às tarifas”.

 

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