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Países do G7 reúnem-se com Ucrânia e Índia em Munique
10/02/2026 21h34
Munique - Os países do G7 vão reunir-se com a Ucrânia e a Índia num encontro de ministros dos Negócios Estrangeiros marcado para sábado, à margem da Conferência de Segurança de Munique, disseram hoje fontes diplomáticas.
O encontro informal vai contar com a Ucrânia, numa altura em que se completam, em menos de duas semanas, quatro anos da invasão russa, e com a Índia, que serão recebidos separadamente, de acordo com as mesmas fontes citadas pela agência de notícias espanhola EFE.
O convite à Índia terá como objetivo discutir com o país asiático as questões da "reforma da governança mundial" no Conselho de Segurança da ONU, que para muitos países está desatualizado por ter sido criado após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), num contexto geopolítico muito diferente do atual.
A presidência do grupo dos sete países mais industrializados do mundo (G7), tutelada pela França, considerou aprofundar o diálogo com a Índia, uma vez que este país vai assumir este ano a presidência dos BRICS, grupo de países do qual também fazem parte a China, a Rússia, o Brasil e a África do Sul.
Esta reunião ministerial à margem da Conferência de Segurança de Munique vai anteceder outra reunião formal, nos dias 26 e 27 de março nos arredores de Paris.
"Queremos tratar de assuntos muito concretos", indicaram as mesmas fontes diplomáticas, num momento de grande instabilidade internacional, com os Estados Unidos distanciados da Europa e de outros parceiros históricos.
Esses encontros vão preparar a 52.ª cimeira do G7 (Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Estados Unidos, Canadá e Japão, além da UE), programada entre 15 e 17 de junho, em Évian-les-Bains, na Alta Saboia, no sudeste da França.
O eixo central da presidência francesa do G7 vai ser a análise dos desequilíbrios macroeconómicos "excessivos e insustentáveis", considerados atualmente uma ameaça direta à estabilidade, ao crescimento e à prosperidade global.
Um dos elementos de destaque desta presidência será também a ampliação do diálogo às grandes economias emergentes, que vão participar como convidadas em diferentes fases deste semestre.
Países como a Índia, o Brasil e a Coreia do Sul estão entre os parceiros com os quais o G7 pretende trabalhar mais estreitamente, não apenas como observadores, mas como atores envolvidos na busca de soluções para os desequilíbrios globais.
A lista definitiva de convidados ainda não está fechada.
Identificada como um ator central em muitos dos desequilíbrios atuais, a China surge como um dos principais desafios da agenda, com a presidência do G7 a explorar fórmulas de diálogo específicas para abordar estas questões, face à relutância de alguns países-membros em relação à participação direta de Pequim no formato do G7.
Outro eixo prioritário será a situação dos países mais vulneráveis.
O G7 propõe rever o modelo de financiamento do desenvolvimento num contexto de redução dos recursos públicos disponíveis, para alargar a base de países doadores e reduzir a dependência estrutural da ajuda internacional.
A presidência francesa organizou-se em torno de sete grandes áreas de trabalho, entre as quais Relações Exteriores, Finanças, Desenvolvimento e Comércio, para concentrar esforços e reforçar a coerência política num contexto internacional marcado pela incerteza.