NATO
NATO reforça liderança europeia com redistribuição de comando militar
10/02/2026 21h37
Nápoles - A NATO chegou a acordo sobre uma nova distribuição de cargos de liderança na estrutura de comando, que atribui um papel mais proeminente aos países europeus, que vão passar a liderar dois comandos conjuntos da Aliança.
Fontes da NATO indicaram que os aliados concordaram numa redistribuição das responsabilidades dos oficiais superiores, reforçando a presença europeia, incluindo dos membros mais recentes, na liderança militar da organização.
No âmbito deste acordo, o Reino Unido vai assumir o comando do Centro de Forças Conjuntas (JFC) em Norfolk, nos Estados Unidos, enquanto a Itália ficará responsável pelo Comando de Forças Conjuntas em Nápoles, ambos até agora liderados por oficiais norte-americanos.
A Alemanha e a Polónia vão passar ainda a partilhar, em regime de rotatividade, o Centro de Comando de Forças Conjuntas em Brunssum, nos Países Baixos, o que significa que os três centros responsáveis pela condução de operações em situações de crise e conflito serão liderados por países europeus.
Os Estados Unidos vão manter, por sua vez, a liderança de três comandos táticos de nível inferior, mas com responsabilidades operacionais relevantes, designadamente o Comando Marítimo Aliado (MARCOM), anteriormente sob controlo britânico, bem como o Comando Terrestre Aliado (LANDCOM) e o Comando Aéreo Aliado (AIRCOM).
Fontes do Pentágono referiram que a transferência do comando dos centros de Nápoles e Norfolk para oficiais de países aliados foi adotada por consenso e visa reforçar a Aliança, demonstrando a liderança europeia na defesa do continente.
O acordo surgiu depois do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter apelado aos aliados europeus para assumirem uma maior responsabilidade pela própria segurança.
A Estratégia de Segurança Nacional norte-americana, divulgada no final de 2025, defende que "os dias em que os Estados Unidos sustentavam a ordem mundial como Atlas acabaram", sublinhando que os aliados devem contribuir de forma mais significativa para a defesa coletiva.
Trump tem igualmente pressionado os membros da NATO a aumentarem as despesas militares para 5% do produto interno bruto (PIB), enquanto Washington defende a criação de uma rede para partilhar o esforço de defesa, garantindo uma maior repartição de encargos e legitimidade alargada.