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Finlândia vai permitir armas nucleares no seu território

Finlândia vai permitir armas nucleares no seu território
Finlândia vai permitir armas nucleares no seu território Imagens: DR

Redacção

Publicado às 23h11 05/03/2026

Helsínquia - A Finlândia prepara-se para levantar uma proibição histórica que impede a presença de armas nucleares no seu território, numa mudança estratégica que poderá abrir caminho à eventual instalação de armamento nuclear no país em tempos de guerra. A intenção foi anunciada esta quinta-feira pelo governo finlandês.

De acordo com a agência Reuters, a alteração pretende alinhar a política de defesa do país com a dos restantes países nórdicos e reforçar a integração da Finlândia na estratégia de dissuasão da NATO, da qual passou a fazer parte em 2023.

A atual Lei da Energia Nuclear da Finlândia, aprovada em 1987, proíbe explicitamente a importação, fabrico, posse e detonação de explosivos nucleares em território finlandês. Esta disposição tem sido vista por alguns sectores do país como uma cláusula que, em caso de conflito, poderia favorecer apenas a Rússia.

Durante a Guerra Fria, a Finlândia manteve uma política de neutralidade. Contudo, a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia — país que possui armamento nuclear — levou Helsínquia a alterar profundamente a sua política de segurança e a aderir à NATO em 2023.

O ministro da Defesa da Finlândia, Antti Hakkanen, explicou que a alteração legislativa é considerada essencial para garantir que o país pode beneficiar plenamente das capacidades de dissuasão da Aliança Atlântica.

“A alteração é necessária para permitir a defesa militar da Finlândia como parte da aliança e para tirar pleno partido da dissuasão e da defesa coletiva da NATO”, afirmou o governante durante uma conferência de imprensa.

A proposta será agora enviada ao parlamento finlandês, onde o governo de coligação de direita detém maioria, o que poderá facilitar a aprovação da mudança.

Nos países vizinhos — Suécia, Dinamarca e Noruega — existem políticas que impedem a presença de armas nucleares em tempos de paz, mas que não incluem uma proibição legislativa explícita caso ocorra uma situação de guerra.

A posição sueca foi reiterada recentemente pelo primeiro-ministro Ulf Kristersson, que afirmou que o país não prevê estacionar permanentemente tropas estrangeiras nem armas nucleares no seu território em tempo de paz. Questionado sobre a possibilidade de acolher armas nucleares francesas, o chefe do governo sueco declarou que, caso a situação de segurança se alterasse profundamente, “essa formulação específica deixaria de se aplicar”.

A mudança surge num momento de crescente tensão geopolítica na Europa. França e Alemanha anunciaram recentemente planos para aprofundar a cooperação com parceiros europeus em matéria de dissuasão nuclear, num sinal de reconfiguração estratégica perante o aumento das ameaças associadas à Rússia e à instabilidade ligada ao conflito com o Irão.

A Finlândia, que partilha uma fronteira de cerca de 1.340 quilómetros com a Rússia, reforçou também a cooperação militar com os Estados Unidos. Em 2024, os dois países assinaram um acordo de defesa que permite às forças norte-americanas utilizar 15 instalações e zonas militares em território finlandês

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