Cuba anuncia libertação de 51 presos sob os auspícios do Vaticano
Havana - O Governo de Cuba anunciou a libertação "nos próximos dias" de 51 presos como um sinal de "boa vontade" para com o Vaticano, mediador histórico entre Havana e Washington.
"Num espírito de boa vontade, e no âmbito das estreitas e fluidas relações entre o Estado cubano e o Vaticano (...) Cuba decidiu libertar nos próximos dias 51 pessoas condenadas a penas de prisão", afirmou quinta-feira a diplomacia cubana, citada pelo site Notícias ao Minuto.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros cubano indicou que se trata de reclusos que cumpriram "uma parte significativa das suas penas" e que demonstraram "boa conduta na prisão".
"Esta decisão soberana é prática padrão no nosso sistema de justiça criminal", acrescentou o ministério, num comunicado que não identifica os reclusos nem os motivos das condenações.
A decisão foi anunciada no meio da forte pressão de Washington sobre Havana e horas antes de uma invulgar aparição do Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, agendada para hoje.
A Amnistia Internacional criticou a "falta de transparência" no anúncio, nomeadamente sobre se os libertados eram "pessoas privadas de liberdade por razões políticas".
A organização de defesa dos direitos humanos denunciou ainda o uso "desumanizante" de prisioneiros "como moeda de troca num jogo político" e insistiu na libertação "imediata e incondicional" de todos os "injustamente presos em Cuba".
O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Cuba alegou que, desde 2010, o Governo concedeu indultos a 9.905 prisioneiros, enquanto nos últimos três anos outros 10 mil foram libertados sob diversas condições.
A Igreja Católica tem desempenhado um papel de mediador na libertação de presos políticos na ilha e nas relações diplomáticas entre Washington e Havana.
Em 28 de Fevereiro, durante uma visita diplomática à Europa, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez, foi recebido em audiência pelo Papa Leão XIV.
Uma semana antes, o secretário para as Relações com os Estados do Vaticano, Paul Richard Gallagher, tinha recebido dois diplomatas norte-americanos: o encarregado de negócios em Havana, Mike Hammer, e o embaixador junto da Santa Sé, Brian Burh.
Segundo a organização de defesa dos direitos humanos Justicia11J, sediada fora da ilha, 760 pessoas estão presas em Cuba por motivos políticos, incluindo 358 pela participação nos históricos protestos antigovernamentais de Julho de 2021.
Os Estados Unidos impuseram um bloqueio energético a Cuba desde Janeiro, alegando a "ameaça excepcional" que a ilha, situada a apenas 150 quilómetros da costa da Florida, representa para a segurança nacional norte-americana.
O país de 9,6 milhões de habitantes, sob embargo norte-americano e já assolado por uma profunda crise económica, enfrenta uma significativa escassez de combustível e frequentes apagões.